Olá pescadores de plantão agradeço por passarem aqui no meu Lago dos Sonhos e peço pra que, se possível, vcs deixem comentários sobre os textos, afinal sem eles naum terá como eu saber se estão ou não gostando do blog.


Também se puderem, deixem seu e-mail para q eu possa agradecer os comentários e a visita.


Bjus e espero que gostem


ASS: Pescador de Sonhos



terça-feira, 11 de novembro de 2008

1º de Abril



Mais emprego minha gente
Mais dinheiro pra família
O Brasil vai ir pra frente
Se prefeito eleito eu for

Se prefeito eleito eu for
Terão estrada reformada
Escola informatizada
Se prefeito eleito eu for

Dia de comício: 1º de abril
Acredite na verdade
Se alguma você já viu
Não me lancei candidato
Mas eu digo que por dinheiro
Se prefeito eleito eu for
Cumprirei minhas promessas
Dia 31 de fevereiro.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O olhar do pavão


A neblina esvoaçante era como um tapete que cobria todo o chão. Ela avançava a cada segundo que se passava. Ao mesmo instante a luz da lua banhava os olhos dos amantes naquela noite.
Esse misto de noite clara e neblina pouco densa eram o melhor cenário para um acampamento. Isso pensava Eliane e sua turma.
A cidade de Formosa era muito conhecida pela sua lua cheia, contudo era também conhecida por ser a cidade mais isolada da região, nenhuma informação chegava e nem saia dela, além de que os habitantes não aceitavam que estranhos ficassem por muito tempo na cidade.
Os jovens decidiram entrar pela mata que havia no local, à procura de aventuras. Acharam uma clareira. O luar penetrava e invadia toda a fresta que as árvores deixavam. Decidiram ser lá o acampamento que para eles seria o melhor de suas vidas.
Montaram rapidamente as barracas e logo fizeram uma fogueira. Nas árvores haviam vários olhos que se voltavam para cada movimento que eles faziam, porém um único olho sem par, queimava com um fogo verde-azulado na copa de um carvalho, olhava com um furor, mas logo se apagara.
Ao mesmo tempo os jovens começaram os jogos que trouxeram. Já passava da meia-noite. Não estavam com muito sono. A canção da natureza parecia que ninava os corpos cansativos. Foram se deitar.
Menos André que queria dar uma volta antes de dormir. Ninguém sabia o porquê já que era o mais medroso da turma, até parecia que ele tinha o conhecimento de que era a última coisa que faria antes de cair no sono perpétuo.
O luar dava lugar aos raios de sol, agora a clareira recebia um banho de luz solar. Acharam estranho André já ter se levantado, já que sempre era o último a dormir e acordar, porém acharam mais estranho ainda, quando perceberam que ele não havia nem se deitado.
Separaram-se e foram procurar o colega. Ele não podia ter ido longe. E nem foi. Eliane e Cíntia viram primeiramente rastros de sangue nas árvores e nas folhas, após viram André ao longe sentado no pé de uma árvore, ele tinha marcas fundas de chicote, sem camisa e sangrando muito, a região dos seus olhos estava queimada e suas mãos estavam cheias de hematomas, sendo que em uma havia um chicote também ensangüentado, chegaram mais perto e ouviram André ainda vivo, contudo com uma voz totalmente irreconhecível:
_ Cuidado com o olhar do pavão…
Instantaneamente um vulto passou entre as garotas e cravou-se no peito de André, era uma pena do rabo de um pavão. Nisso ouviu-se um canto suave e melódico, estava numa sintonia perfeita ao balançar das árvores. Ia se alentando, junto com o vento, até que se sentia o tempo parar.
Olharam cuidadosamente para onde André estava, e viram tudo se diluir e desaparecer na infinidade da mata, a única coisa que sobrara era a pena que ficou de pé na frente das garotas.
Cíntia sentiu seu corpo se mexer sozinho e sua mão pegar a pena, o medo da cena se transformava em pavor aos movimentos involuntários que ela sentia. A sinfonia pára. A dor da perda indescritível do amigo fez seus corpos correrem em direção ao acampamento. Já lá, encontraram João e Carla, pálidos como farinha. Contaram da visão, e receberam a notícia de que os amigos viram a mesma coisa, não estavam entendendo nada, mas nem estavam querendo entender. Só queriam fugir.
Arrumaram desordenadamente todos seus apetrechos. Fugiam da noite escura. Por mais que andassem mais perto do fim estavam. Fugiam sem saber pra onde. E só fugiam.
Os últimos raios de sol cortavam a colina verde, chamava o ser para o dia noturno. Andaram durante horas, sufocavam o cansaço com seu pouco fôlego, mas tudo em vão, sempre a brasa acesa da fogueira pairava ao longe, andaram em voltas intermináveis.
A noite cai. Novamente o canto da natureza ninava nossos jovens. Mas ninguém dormiria numa noite daquelas. Ao longe o fogo verde-azulado queimava num leque de três olhos, todos estes voltados para a caça medrosa logo adiante.
As árvores ficavam cada vez mais numerosas. Tudo ia tapando passagem. Olhos seguiam os movimentos que faziam.
Instantes depois, Cíntia se vê sozinha, grita à procura dos amigos, ouve gritos abafados, que vão sumindo, até desaparecerem. O leque se fecha. As árvores abrem caminho para os passos da garota. O vento corta seu cabelo num assovio arrepiante. A canção da natureza já não embalava corpos cansados. O leque aparece.
Eliane se cansara de gritar pela amiga, não por menos, todos estavam com os corpos cansados, gritar só aumentava a fadiga. Sabiam que algo havia acontecido. Não queriam saber tanto. Só queriam fugir.
Acalmaram-se ao ver o céu tomando a cor azul, as árvores abriam passagem para a tranqüilidade, logo quebrada com um susto.
Troncos avermelhados, folhas orvalhadas com sangue, e Cíntia com uma pena de pavão cravada no peito, Não estava no mesmo estado de André, com única semelhança: Os olhos queimados.
Carla virou o rosto, apoiou-se em João. Eliane andou entre as poças, chegou perto e pegou na mão da amiga. Uma lágrima desceu e caiu no centro da pena, que começou a queimar. A menina pulou para trás, e viu tudo pegar fogo, e sumir numa fumaça vermelha. Todo o sangue se evaporava, e subia junto com a fumaça.
O estranho é que nada sobrara, nem sequer as cinzas do corpo. Tudo era enigmático, desde que entraram na floresta.
João levantou Eliane, que estava olhando para o nada sem reação alguma. E os três sentaram no pé de uma grande árvore. Já estavam desistindo de fugir. O cansaço já os matava pouco a pouco, precisavam de descanso.
Sem perceberem já estavam dormindo. O cansaço destruía suas forças, era como a ferrugem corroendo o ferro. O som do rio lutava contra as árvores para chegar aos ouvidos dos três sobreviventes. A sede dava forças ao cansaço, só precisavam de um pouco de líquido da vida para poderem prosseguir.
Acordaram, perceberam o barulho, e acharam o rio. Não tinham tempo para pensar, eram apenas presas de algo que ninguém sabia o que era. Beberam água como animais, se esbanjaram com aquele tesouro natural. Seguiram o rumo daquele rio, sem saber onde ele levava.
Eles seguiam o Sol com seus olhos e ao ele se esconder atrás do horizonte, seus pesadelos começavam. Sem nenhum motivo Carla mergulha na água. No local onde estavam, a correnteza era quase imperceptível, João e Eliane ficaram chamando ela, mas parecia que uma barreira os separava.
Carla nadava, pulava, mergulhava, tudo em perfeita sincronia. Era como se a garota estivesse num transe. Mas num piscar de olhos uma torre de água subiu levantando Carla três metros do nível do rio, ela estava de pé nesta torre. Sua boca se mexia, mas não soltava palavras. Os dois amigos assustaram-se com a visão, mas algo pior estava acontecendo. Os olhos de Carla começaram a queimar com um fogo verde-azulado. Um líquido verde brilhante saia como uma áurea do corpo de Carla e começava a impregnar o rio. Uma voz oriunda da boca da garota sai tenebrosa e assustadora:
_ Minhas presas, em breve cairão no Olhar do Pavão.
Nisso o fogo dos olhos de Carla voam em direção à floresta. O rio volta a sua coloração e fluxo normal. A garota ainda fica flutuando a três metros do nível do rio, só que agora morta e caída sendo segurada pela cintura por algo invisível. Instantes depois ela cai nos braços de João que a segura e a deita no chão. A pena do pavão logo cai rapidamente e se crava no coração da menina, como aconteceu com as outras vítimas.
O solo do local onde Carla estava morta começou a engolir o corpo e tudo que estava em volta dele. Obrigando os amigos a saírem de perto da garota, que sem nenhum vestígio desapareceu no interior da terra.
Os olhos de Carla encontraram, longe dos ainda sobreviventes, o único olho queimando no mesmo tom dos da menina. Logo um leque de cinco olhos se abre desse primeiro e os que chegaram se agrupam a esses, indo um para cada lado do leque, que se fecha e se apaga para esperar uma nova noite.
João e Eliane não acreditavam no que haviam visto, Carla não sabia ao menos nadar cachorrinho, se fosse ela quem estava no rio nunca conseguiria fazer aquelas acrobacias. Tudo estava estranho desde a morte de André.
Já estavam cansados de fugir. Tudo que haviam feito desde o primeiro dia do acampamento foi fugir, e com a fuga um a um dos companheiros morriam misteriosamente, e como a morte os corpos sumiram do mesmo modo. E se não fugissem mais? Poderiam tentar descobrir o que se passava naquela floresta.
Montaram novamente o acampamento, ligaram todas as mortes num ponto comum: os olhos flamejantes. Parecia que toda a vida das vítimas era sugada pelos olhos, que se desprendiam do corpo e seguiam floresta adentro.
Outros fatos também se encaixavam: André não queria de jeito algum acampar na cidade de Formosa, estava morrendo de medo e só veio para não demonstrar que era um medroso; Cíntia quase correu ao vê-lo morto e estava com o corpo tremendo a todo instante desde a primeira morte; e Carla ao ver a amiga morta virou o seu rosto para o lado contrário. Sendo assim tudo indicava que as vítimas tinham os seus olhos arrancados por estarem de alguma forma com muito medo.
João não estava gostando de nada do que estava sendo dito. Não queria ficar ali parado em vez de fugir, porém deixar uma amiga sozinha era a única coisa que ele não faria antes da sua morte que já estava marcada para aquela noite.
O tempo passou depressa enquanto discutiam sobre as mortes. O sol logo deixou a lua tomar o seu posto de soberano dos céus. Muito longe do acampamento o fogo acende novamente para a nova caçada, um lindo leque do rabo de um pavão se abre com sua graça e sutileza em sete olhos incandescentes, com sede de sangue. Sede de medo.
Ao perceberem a escuridão já era tarde. João se levantou estando com os olhos fechados, seus lábios começaram a se mexer, e como Carla, não soltava uma só palavra. Eliane se levantou também, e lendo os lábios do amigo viu que ele ainda estava ciente do que acontecia naquele momento, já que as palavras de socorro saltavam-lhe da boca numa mudez irritante. João dá dois passos à frente em direção á fogueira que separava os dois. A garota como ele em seu ritmo recua os dois passos.
Eliane não queria demonstrar medo, com isso na certa seria a próxima vítima. A única coisa que fazia era recuar os passos do amigo, que de tanto andar na direção do fogo acabou pisando no mesmo.
Quando isso aconteceu algo surpreendente surgiu: as labaredas da fogueira tomaram o tom verde-azulado do leque de olhos, e João ficou parado no centro daquele incêndio. O cheiro de carne queimando era insuportável, mas Eliane ficou lá até o fim.
As palavras mudas de João cessaram-se, ele já estava morto, com isso uma chama apareceu em sua testa, tinha o formato de um olho, olho de caçador encarando a caça, e dele desceram mais três de cada lado, já esses olhando com um ar de súplica e dor.
João abre os olhos que rapidamente começaram a queimar, novamente começa a mexer os lábios, porém, desta vez, suas palavras não são mais mudas, para o azar de Eliane que ouvia aquela voz tenebrosa:
_ Por que não foges minha caça, já sabes que não há como escapar do olhar do pavão?_ enquanto fala dá passos calejados com os pés já em osso puro, negro como o carvão_ O medo dos teus amigos foi um delicioso aperitivo, mas agora tu serás o prato principal.
Os olhos de João saem e vão para cada lado do leque, no seu corpo começa uma transfiguração: O olho maligno que antes era uma chama começa a se tornar real no centro da testa do garoto; o local dos olhos começa a cicatrizar e sumir sem deixar vestígios de que lá houve olho; seus dentes ficaram pontiagudos junto com as unhas, que ficaram enormes; os outros olhos sumiram e se transformaram em um fogo ardente e flamejante com oito chamas livres uma da outra, porém ainda presas às costas do, agora, monstro, como se fossem oito caudas.
Eliane estava aterrorizada com o corpo de João, mas acima de tudo controlava o medo dentro do seu coração. Ela começou a lembrar de cada amigo que perdera naquele acampamento, André com o seu jeitão desconfiado; Cíntia: a inteligência em pessoa; Carla com seu arzinho esnobe, porém meiga e extrovertida; E agora João, que virou um monstro que acabaria com a vida dela.
Ele estava chegando cada vez mais perto, enquanto ela ficava parada olhando fixamente para o nada. Uma força descomunal encheu o seu peito de ar, os dois olhares, dela e do monstro, se entrelaçavam na mesma sintonia, o mesmo ar de caçador pairava sobre cada olhar. Eliane com uma voz forte e de autoridade diz a primeira frase que ouviu do monstro:
_ Cuidado com o olhar do pavão.
Aquele ser percebeu o furor da garota, todo o medo que ela estava sentindo começou a brotar nele próprio, o fogo das caudas ganhou vida e começou a entrelaçar-se no corpo de João. Um grito de horror saia cortando toda a penumbra daquela noite, os oito olhos reapareceram ao lado de Eliane, que como eles começou a queimar, só que num fogo albino quase cristalino.
O ser caiu no chão gritando horrores, toda a transfiguração do corpo de João começou a sumir e o olho central se desprendeu dele, um som ilusório e fantasmagórico ecoou num raio de quilômetros, todos os animais da floresta e habitantes da cidade correram na direção do epicentro do som e lá encontraram Eliane desmaiada no chão rodeada por oito penas de pavão branco cravadas formando um círculo e não tão longe dela o corpo do amigo todo pálido e sem vida ao lado de uma única pena verde-azulada seca e despedaçando com o vento da manhã.

sábado, 13 de setembro de 2008

Insônia


Morfeu, derrames sobre mim seu manto
Tires toda essa angustia do meu peito
Peço que me faças cair sobre o leito
E que enxugues do meu rosto esse pranto

Venhas pra me dar esse doce encanto
Venhas para criar o sonho perfeito
Já sei que pra tudo se tem um jeito
E por isso te clamo oh Deus santo

Passo, esperando, toda a noite, em claro
A graça da visita tua oh Deus
E ainda tu, do meu estado, tiras sarro

Uma vez que, vestígios, não encontro, seus
Nem vou encontrar nesta cama de barro
Quem cures essa insônia, nos dias meus

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Sonhar como criança


Joãozinho sonhou ser cantor
Cantava melodias para crianças como ele
Joãozinho sonhou ser professor
Ensinava matemática para crianças como ele
Joãzinho sonhou ser agricultor
Plantava alimento para crianças como ele
Joãozinho sonhou ser médico
Curava doenças de crianças como ele
Joãzinho sonhou ser ator
Encenava peças para crianças como ele
Joãozinho sonhou ser escritor
Escrevia histórias para crianças como ele
Joãozinho sonhou ser mestre cuca
Cozinhava delícias para crianças como ele

Mas hoje em dia
Joãozinho não tem tempo de cantar
Não tem tempo de ensinar
Não tem tempo de plantar
Muito menos de curar
Não tem tempo de encenar
Não tem tempo de escrever
Não tem tempo de cozinhar
Não vê tempo para sonhar
Pois mesmo sendo criança
Só tem tempo para trabalhar

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O Acerto de Contas

Tudo estava monótono, na TV os mesmos programas que impediam as horas de passar. Na praça o tormento dos corvos na noite que chorava e a minha cabeça desligada do mundo. De repente, um som quebra o silencio da noite. O telefone toca. Ao mesmo instante levanto, sentindo uma frieza, um arrepio, pois a única pessoa que me ligaria, está morando a um quarteirão deste cortiço, a sete palmos do chão.
Quando atendo a surpresa ouço suspiros pausados pergunto quem é, mas incansavelmente os suspiros penetram na minha mente e ao cair um raio, uma luz invade a sala projetando uma sombra que me faz desligar o telefone.
Toda luz de um relâmpago é momentânea, mas essa impregnou-se em meus pensamentos, atordoando-me e acabei por desmaiar.
Enfim, as horas passam. Uma voz macabra persegue meu subconsciente. Acordo. Encontro rente a porta um estranho fisicamente irreconhecível, porém conheci seu suspiro pausado.
O interrogo com a mesma pergunta feita ao telefone e apenas ouço: Foi Você.
Recuando, eu dizia:
_Quem é você?
_ Aquele que pensava ser o seu melhor amigo_ responde o homem.
_ Não! Não pode ser, meu amigo morreu ontem em um assalto!
_ E por isso quero vingança, vingança por saber no meu ultimo suspiro que você era o mandante da minha morte…
Após a sua fala, a única coisa que vi foi um punhal se aproximando de mim e ofuscando a minha visão.
No susto, acordo. Em pensar que foi tudo um pesadelo. Senti-me aliviado e com a obrigação de visitar meu amigo no túmulo.
Perante o túmulo, minhas memórias de como foi o pesadelo se tornou a coisa mais real da face da terra: o punhal que no sonho me matara chorava sangue cravado no mármore negro daquela sepultura…

terça-feira, 8 de julho de 2008

Amor-obsessão

Raios, trovões. Luzes que refletem sombras. Medo. Luzes instantâneas, momentâneas. Tudo conspirava com o estado mais pútrido da formação terrena naquele dia. Dia do mais puro ódio e rancor de minha perdida alma. Mas não vou me vangloriar por ter feito o que irei narrar, nem devo fazer tal coisa, já que qualquer outro homem poderia tê-lo feito, porém só a minha pessoa teve a infelicidade de fazê-lo.
Minha vida já foi pacata e sem pensamentos maquiavélicos. Um exemplo disso foi quando eu a conheci: seu corpo bronzeado pelo Sol do meio-dia, seu rosto recoberto pela beleza das ninfas gregas, suas curvas feito pétalas de uma rosa cristalina.
Eu caminhando pela praia sentindo o ar da pureza a vi sentada na areia. Vi meu coração parar no segundo que observei aquele olhar. Ela olhava o horizonte sorrindo, como quem vê um futuro lindo, como quem vê a felicidade voar como um pássaro em sua direção numa intensidade lenta e descompassadamente infinita. Mas com o tempo eu engaiolei aquele pássaro.
Começamos a nos encontrar depois daquele dia, meu coração se transformara em terra fértil, que a cada visita que ela me fazia era regado com doçura e, segundo ela, com a mais pura amizade já existida entre duas pessoas. Contudo eu não queria sua amizade, como eu seria amigo daquela que roubou meu coração. Como eu já disse, eu não queria a sua amizade, quem eu queria era ela.
O tempo passou. A terra fértil já dava flores e frutos, porém mesmo assim ainda era regada com a amizade. Uma amizade grande, tão grande que nela não havia segredos, tão grande que nela não havia desentendimento, e por essa amizade imensa, ela decidiu me apresentar seu namorado. Quando ela usou estas palavras, meu corpo gelou ao ponto de igualar-se a temperatura que ele está hoje, eu disse que não via a hora de conhecê-lo, contudo na terra fértil do meu coração brotaram ervas daninhas e chocaram ovos de diversas pragas a corroê-lo.
Fui ao encontro, era num restaurante. Várias pessoas jaziam no local, várias testemunhas de um crime que eu estava prestes a cometer, adiado por tão óbvias circunstâncias. Conversei calmamente com os dois, não poderia ser diferente disso. Ria, sorria e fazia rir. Ver os dois abraçados, conversar sobre o como se conheceram. Tudo ia as mil maravilhas, mas não para mim.
Aquela noite foi longa e outras vieram até a chuva cair. Chuvas litorâneas sempre são obscuras: ventos cortavam feito navalha; raios rasgavam o céu, logo remendados com a penumbra da velha noite; grossas nuvens avançavam mais rápido que o pássaro da felicidade.
No meu coração uma só planta ainda restara: uma árvore imensa plantada no momento que eu vi o meu amor, mas esta eu fiz questão de derrubar com minhas próprias mãos.
Antes de cair a tempestade, fui para a casa de minha até então amada, como fazia todo o dia. Conversamos durante horas, até ela olhar pela janela e ver aquela nuvem negra tapando o horizonte. Disse que seria melhor eu ir para casa. Fingi ter ido.
Ao cair o primeiro raio começaria a pior noite da vida daquela pobre garota destruidora de corações. Ouve-se o estrondo, até as lâmpadas dormiram com o susto do barulho. Vários outros trovões. Ela ficou sentada imóvel olhando a infinidade tapar seus olhos. Dos vários trovões um cai bem atrás de minha pessoa jorrando uma luz intensa para dentro do quarto. Toda a infinidade se transformara em quatro paredes tendo em uma delas, o meu reflexo.
Seu grito de espanto ecoa até hoje em meus pensamentos, era maravilhoso ver seu olhar de culpa, era linda a sua face repleta de medo, a forma que seu coração batia fazia eu me apaixonar ainda mais por aquele ser. Outros trovões caiam, nestes ela fechava os olhos como medo de outra aparição.
Chamei o seu nome, minha voz tomava um sentido macabro, não era mais eu que estava lá, então esse outro eu gemia o nome da minha amada. E essa por sua vez tentava andar na escuridão de sua casa. Esbarrar em objetos, e bater de frente a paredes, para ela se tornava normal.
Meu outro eu esperava minha amada vir a seu encontro, não queria fazer o mesmo que ela estava fazendo. Luzes mostravam o caminho da morte. Ela o seguia como se fossem as migalhas de pão de João e Maria. Migalhas mofadas e podres, que levavam a um destino mais podre ainda.
A chuva cessa, as luzes voltam em meia fase. Na cozinha um estojo de facas. Na cozinha o encontro final. Já cheia de hematomas devido aos tropeços da fuga, ela para em frente ao meu outro eu. Corre e o abraça.
Como foi bom aquele abraço. Como foi bom sentir a fúria daquele ser ao abraçá-lo. Sentir ofegante seu coração acelerado. Sentir o peso da arma branca em minhas mãos. Sentir a lâmina penetrar nas costas dela. Sentir os dentes do serrote cortando a grande árvore do amor.
Hoje sinto meu corpo estremecer com essa história. Sinto a minha alma queimar no inferno. Sinto o sangue de minha amada entrar em contato com o meu, na mesma lâmina daquela faca.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Nascido pra você

Se eu nasci com olhos
Foi pra um dia te ver

Se eu nasci com orelhas
Foi pra um dia te escutar

Se eu nasci com língua
Foi para contigo falar

Se eu nasci com pernas
Foi pra contigo andar

Se eu nasci com mãos
Foi pra um dia te acariciar

Se eu nasci com braços
Foi pra um dia te abraçar

Se eu nasci com lábios
Foi pra um dia te beijar

Se eu nasci com um coração
Foi para todo o sempre te amar

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Amo por falar

Oh flor do Lácio
Que brota das nossas faringes
Quão bela é sua sonoridade
Tão enigmática quanto a esfinge

A farmácia de suas palavras
São para curar os doentes
São para desfazer os males
De todos que os sentem

Por isso te amo, minha língua
Te amo por ser assim
Por estar perto de todos
Por estar perto de mim

Te amo, querida amiga
Mesmo com sua gramática
Que complica a nossa vida
Sem, é claro, ser antipática.

Mas seus ósculos ou beijos
Enfim, sua forma culta
Me deixa bobo e apaixonado
Com certeza absoluta.

domingo, 18 de maio de 2008

A Fábrica

Por que eu sou assim
Não podia ser assado
Outro rumo ter tomado
Ter nascido em outro estado

Por que nasci assim
Com direitos limitados
Os conceitos fracionados
E com regras disfarçadas

Mas a culpa não é minha
Muito menos dos meus pais
A culpa é da sociedade
Que me fez e que me faz

O que eu fiz na outra vida
Pra nascer numa fábrica dessas?
Construtoras de muralhas
Que nem os sonhos atravessam

Por isso tome cuidado
Com o que faz ou que diz
Você não nasceu nessa fábrica
Mas somos do jeito que ela quis.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Em busca da reconquista

Personagens

Teatro
Computador
Tragédia
Comédia

NUMA DAS LAN HOUSES MAIS MODERNAS DO PAÍS, O TEATRO ENTRA COM UM AR TRISTE E SE DEFRONTA COM O COMPUTADOR CUIDANDO DE SEUS AFAZERES. AO PERCEBER O TEATRO, O COMPUTADOR PÁRA O SEU TRABALHO.

Computador: Senhor Teatro! Q honra, o maior nome da Antiguidade vir aqui na minha LAN house. (ABRAÇANDO O TEATRO, EMOCIONADO)
Teatro: Por ser da Antiguidade é que estou aqui, meu jovem. Queria conhecer seus filhos: a Internet, o Msn, o Orkut, e os outros que não citei, também. Queria conhecê-los para saber o que de bom eles têm. (NUM TOM CHOROSO)
Computador: Que bom, meu velho. Vc estah kerendo c informatizar neh? Eh um bom começo pra kem naum eh dessa era.
Teatro: Não é bem assim. Depois que seus filhos nasceram, todos os meus, adoradores ou a maior parte deles, desinteressaram-se por mim. Por isso, quem sabe, com a ajuda de vocês, eu poderia resgatá-los.
Computador: Mas como assim, mau amigo? C eh que eu posso chamar o Senhor assim.
Teatro: claro que pode bobo. (SORRINDO POR UM INSTANTE, PORÉM SE ENTRISTECE NOVAMENTE) Meus antigos adoradores me deixaram de lado, eu que faço as pessoas expressarem, mostrarem sentimentos que raramente são mostrados.
Computador: Naum fike :-( , amigo, nem eu e nem meus filhos, com a nossa pouca idade e experiência, conseguiríamos abalar toda a sua história, tudo o q vc construiu durant a sua vida estah longe de acabar.
Teatro: Nisso eu até concordo, caro jovem. Mas a sua alta tecnologia me deixou defasado em público. Minha filha, a Comédia, que era alegre e extrovertida, hoje chora pelos cantos, acompanhada da Tragédia, minha outra filha. Só que essa eu já me acostumei, a única coisa que ela sabe fazer é chorar e se lamentar.
Computador: E por falar nas suas filhas, serah q eu poderia conhecer elas algum dia?
Teatro: Elas já devem estar chegando. Mesmo eu as mandando ficar em casa, se bem as conheço, com certeza me desobedeceram. Porém confesso que são mais impacientes do que eu, estão muito bravas com você.
Computador: Deixe de ser paranóico, Teatro, pq elas estariam bravas comigo?

A TRAGÉDIA CHEGA AOS BERROS, COM LÁGRIMAS NOS OLHOS.

Tragédia: Por que, dizes tu? Porque estaríamos bravas com a pessoa que rouba os nossos amantes? Simples, porque roubou nossos amantes! Dizem que a tua pessoa é legal, cheia de entretenimento, mas uma pessoa assim não faria o que está fazendo com a nossa família. Por que fazes isso? Por quê? Me diz o porquê.
Teatro: (COM A VOZ FORTE SE DIRIGINDO À SUA FILHA) Pare de lamentos, tragédia, não havia falado para não me seguir, sorte de sua irmã quem me obedeceu.
Tragédia: Meu pai! A comédia também te desobedeceu, porém ficou no caminho pregando peças para tentar fazer com que a alegria voltasse para o seu ser. E quanto à desobediência, ela se deve a este ladrão de público.
Computador: Ei, espera aí, como uma bela garota como vc pod me chamar d ladrão d público, naum crie dramas linda.
Teatro: Concordo com o Computador, minha filha, não podemos chegar aqui chamando os outros de ladrão, viemos para entrar em um consenso.
Tragédia: Mas, pai, não podemos omitir algo de alguém que possui esse algo. Se ele é roubou, tem que pagar por isso.

NISSO A COMÉDIA CHEGA RINDO E DESCONTRAÍDA, E CHEGA PERTO DO COMPUTADOR.

Comédia: Então esse é o ladrão de público, mãos ao alto meliante!

O COMPUTADOR, ASSUSTADO, ERGUE AS SUAS MÃOS.

Teatro: Comédia, pare com isso. O que pensa que está fazendo?
Comédia: Ué, paizão! Você não disse ontem que podemos ser quem nós quiséssemos. Agora eu quero ser policial para prender este ladrão
Tragédia: (COM UM TOM DE TRISTEZA, TORCENDO PELA IRMÃ EM CÂMERA LENTA) Vai lá, Comédia, prenda o ladrão.
Teatro: Eu até disse, mas isso não serve pra vocês, só os outros podem ser o que quiserem, quando estão comigo. Podem ser animais, podem exercer profissões diversas, podem ser pessoas de outras épocas, podem até trocar de sexo, tanto homem quanto mulher,
Comédia: Ah! Então eu não posso ser policial? (NUM TOM TRISTONHO)
Computador: Graças a Deus naum.
Comédia: Que droga! Eu queria ser policial (EMBURRADA)
Teatro: não fique assim, filhinha, por que não vai para o museu? Pegue o dinheiro para o táxi e leve sua irmã. Deixe-me conversar a sós com o Computador.
Comédia: A gente vai, pai, mas não saia daí sem resolver nossa situação. (VIRA, PEGA SUA IRMÃ PELO BRAÇO E SAI CANTANDO) Eu vou ir pro museu ver as obras de arte.
Tragédia: Oba. (NUM TOM IRÔNICO E MELANCÓLICO)
Teatro: Não disse que elas viriam? Aquelas meninas… (COM UM SORRISO NO ROSTO)
Computador: Confesso q naum kero v elas novamente taum cedo.
Teatro: Elas estão assim por causa do desinteresse do nosso público e julgam ser culpa sua.
Computador: Mas pensam errado, pra mim isso q vcs estaum vivendo eh apenas uma fase, todos os divertimentos humanos passam por isso. Veja a Bolinha de gude, coitada, poucos lembram dela; o Peão entaum ficou pra história; ninguém ouve mais falar o nome dos Bilboquês e nem da Amarelinha. Um dia, como vc e os outros, eu tbm serei trocado por algo, e assim vai. Mas sempre vai t alguém q vai lembrar d nós, vai nos divulgar, pois c ainda estamos vivos eh pq temos valor pra humanidade.
Teatro: É, você tem razão, meu mais novo amigo. (ANDA EM DIREÇÃO À SAÍDA DO PALCO CONFORMADO COM A SITUAÇÃO)
Computador: Aond vai, velho? Naum keria conhecer meus filhos?
Teatro: Deixe para outro dia, meu jovem. Agora me unirei com minhas filhas para fazer o espetáculo do ano, para poder resgatar meus fãs. Obrigado por ter me aberto os olhos.
Computador: Q isso?! Só q, quando estiver pronto me fala, vou mandar a Internet e os irmãos dela publicar pra q todos assistam vc. Xau, amigo
Teatro: Pode deixar. Xau, amigo

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Amizade à flor da pele

(Esse vai para todos os meus amigos, e para todos que possuem umamigo por perto)

Há algo mais difícil do que falar
Falar das amizades que já tive
Das que já tive ou que ainda tenho
Que ainda tenho sem saber que existem?

Há algo mais doloroso que saber
Que saber que perdi um amigo
Um amigo que nunca mais estará comigo
Comigo e com mais ninguém?

Há algo mais difícil de suportar
De suportar a falta de amigos
De amigos que riem quando eu rio
Quando eu rio sem ter motivo?

E é por isso que eu não falo
Que eu não falo e nem sei
Nem sei, mas suporto
Suporto, por ter amigos.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Uma Biografia

Bebê nascido
Criança crescida
Adolescente rebelde
Jovem confuso
Homem sem rumo
Adulto apaixonado
Noivo casado
Filhos endiabrados
Marido descontente
Companheiro infiel
Desquite assinado
Pai solteiro
Profissional aposentado
Idoso depressivo
Velho à beira da morte
Corpo velado
Defunto enterrado.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

As solteironas da high society

Personagens:

Greth
Alex
Paulo
Millu
Darlen

NUM BARZINHO CHIQUE, COM UMA MESA DE SEIS CADEIRAS, QUATRO NOIVOS E UMA SOLTEIRONA REUNEM-SE PARACOMEMORAR O NOIVADO.

Paulo: Ai benzinho! Não havia um barzinho melhor, não?
Millu: Fale baixo, amor! Esse foi o melhor que encontrei o mais freqüentado pela alta sociedade. (chegam á mesa e sentam -se)
Paulo: Uff! Detesto gente não pontual, isso me estressa. (com a mão na cabeça e a cara mal-humorada)
Millu: Deve ser aquela árvore de natal da Darlen que esta se enfeitando toda.
Darlen: (entrando com seu noivo Alex) Nossa, querido, aquela pata-choca da Millu está falando mal de mim, minha orelha está queimando.
Alex: Deixa pra lá, amorzinho, isso é inveja.
Millu: (levantando-se com Paulo para cumprimentá-los) Olha o vestido dela, não se compara com o lixo que você me deu.
TODOS SE CUMPRIMENTAM
Darlen: (ainda de pé) Nossa querida como você engordou.
Millu: Ah é, e como os pés de galinha vão aparecendo com o tempo em seu rostinho, não é?
Darlen: Ai, gracinha você.
Paulo: (com todos já sentados) Que tal pedirmos um drinquezinho.
Darlen: Desculpe-me, Paulo, mas isso seria uma deselegância da nossa parte, temos que esperar a convidada, não é?
Greth: (entrando se dirige a alguém da platéia) Oi, gatinho, depois me passa o número do seu telefone, ta gracinha. (vai à mesa e senta-se, sem as mulheres perceberem sua presença, do lado dos homens e fica se mostrando)
Darlen: Querida, olhe o meu rímel Tailandês, custou uma fortuna.
Millu: Que lindo, bem passado, não? (olha para a platéia sigilosamente) Gente ta borrado
E olha o meu batom Francês que veio diretamente da França
Darlen: (dirige-se para a platéia querendo esconder de Darlen) Mentira, comprou na 25 de Março que eu vi.

AS DUAS AO PERSEBEREM QUE GRETH ESTAVA SE EXIBINDO PARA SEUS NOIVOS

Darlen/Millu: Grethen! (num tom exagerado)
Greth: (assusta-se) Ai! O que foi meninas?
Darlen/Millu: (apontam com a cabeça o outro lado da mesa)
Greth: Nossa como vocês são maliciosas. (dirige-se para o lugar apontado anteriormente e olhando para a platéia) Ai que barzinho, não tem um gatinho pra mim da uns cato, só tem canhão.

TODOS COM CARA DE VERGONHA

Millu: E ai Greth, veio de táxi.
Greth: Quase amigas, mas um guarda bonitão me deu carona e vocês não sabem o que está acontecendo lá fora.
Darlen: O quê?
Greth: Um idiota, que ta aqui no bar, que não sabe nem estacionar direito, foi justo num lugar proibido, agora aquele guarda (dá um suspiro) ta multando ele.
Millu: E você não sabe que carro que é.
Greth: Ah, é um vectrazinho preto.
Paulo: (preocupado) Minha Nossa Senhora, será que é o meu.
Greth: Tenho certeza que não, pois a placa é de Rincão do Norte, quem compraria um carro em Rincão do Norte.
Paulo:
Eu compraria!! Ai, meu Deus, de quantos será a multa, ai vou à falência.
Alex: Calma, quer que eu ajude com o dinheiro?
Paulo: Vamos você é rico, pode ajudar. (os dois saem)
Greth: (para Darlen) Desculpa amiga, não podia imaginar que era do seu noivo.
Darlen: Acha, deixa, aquele economiza até pra estacionar.
Millu: É isso é, mas já mudando de assunto, como rico é chato, não acham?
Darlen: Pior, mas o Paulo além de chato é muquirana, não abre a mão nem pra dar tchau.
Greth: Pode até ser, mas dêem graças a Deus porque pelo menos vocês os têm, e eu que (com ar de tristeza quase chorando), ai, sou solteirona.
Millu: O da Darlen pelo menos é um partidão, já o meu tem dinheiro, mas não gasta por nada.
Darlen: Ai, amiga, mas pense bem, ele só está guardando para o seu futuro. Eu o admiro tanto por isso.
Millu: Então porque não pega ele para você, vamos fazer uma troca.
Darlen: Pra isso eu teria que largar do meu (mostrando com o dedo o sinal de dinheiro) e isto eu não faço nem morta.
Greth: É, mas eu fico pensando como o mundo é pequeno.
Darlen: Ai, Greth que palavreado mais coloquial.
Millu: Que frase de plebeu.
Greth: Mas que é verdade é. Eu prefiro ser solteirona do que chifrudona.
Millu: Por que Gretth, você sabe de alguma coisa que nós não sabemos.
Greth: Na verdade...

PAULO E ALEX ENTRAM

Paulo: Cem reais? Isso é um roubo.
Alex: Calma, já que fui eu que paguei a multa. (os dois sentam-se)
Millu: Cem reais? Mas isso não vai fazer falta nas suas finanças. Nem precisava ter pago Alex.
Paulo: Cem reais podem me levar à falência, precisava sim ta Alex.
Millu: Ai, eu vou ao toalete, essas discussões sempre me dão enxaqueca.
Darlen: Eu vou com você, amiga, preciso retocar a maquilagem. (as duas saem)
Greth: (logo após elas saírem) Até que enfim aquelas peruas saíram, não agüentava mais falar com elas.
Alex: Por quê? Senão for incomodo sobre o que falavam.
Greth: Sobre o nível de amor que elas têm por vocês.
Paulo: De 0 a 10, qual é esse nível?
Greth: Para o dinheiro 10, mas em compensação pelo amor...
Paulo/Alex: Quanto?
Greth: É, (pensa um pouco) é 10.
Paulo: Ainda bem.
Alex: Já sabia.
Greth: Só que negativo
Paulo/Alex: O quê?
Greth: Falei demais. (Darlen e Millu entram e ouvem tudo que Greth disse)
Millu: Falou demais o que Greth?
Greth: Nada só que...
Paulo: O suficiente para sabermos que vocês duas estão conosco só pelo dinheiro.
Millu/Darlen: O que você andou falando Greth pode ir desmentindo tudo.
Greth: Desmentir O que? Pode me chamar de solteirona, encalhada, falar que vou ficar pra titia, mas de mentirosa ninguém me chama não.
Só por isso vou falar tudo que eu e toda a high society sabe.
Darlen: Nem pense nisso Greth.

FAZENDO O MAIOR ESCANDA-LO NO BAR.

Greth: Já pensei e vou agir. Mas, porque que você não quer que eu conte para todos do bar que você esta com o Alex só por interesse? (diretamente para a platéia) Tanto que o traiu com o Paulo.
Darlen: Que ousadia de sua parte falar assim de mim Greth.
Millu: Darlen, sua cachorra.
Greth: E do que você está falando, santinha do pau oco?
Millu: Olha lá o que vai dizer Greth!
Greth: Só a verdade, nua e crua! Que, que tem falar que você também esta com o Paulo pelo dinheiro e (da uma risadinha maliciosa) __ bem que eu disse que esse mundo é pequeno __ tem como amante o Alex.
Darlen: Depois sou eu a cachorra. (da o primeiro tapa, proferindo xingamentos uma a outra, começa a briga)
Greth: Oba, briga, briga, olha o barraco.
Alex: (num grito interrompe a briga) Chega! Não quero mais saber de mulher, elas me torram.
Paulo: Espere amigo, pra mim mulher não presta mais. Agora é só eu e você
Darlen: Querido, não acredite nesta pi...
Alex: Sai de perto de mim, peguei alergia de mulher.
Millu: (corre gritando) Eu tenho meus direitos de noiva.
Paulo: Claro que tem, o de pagar a conta.
Darlen: (já quase chorando) A culpa é sua Millu.
Millu: (também chorando) Não é sua.
Darlen/Millu: Não é dela (apontando para Greth) Greth você nos paga. (vão à direção a ela)
Greth: Não levem por esse lado, queridas (se agarra nos braços delas e anda um pouco, com as duas chorando) pelo menos vocês agora estão no meu grupo (as duas param e olham sérias para Greth) o das solteironas. (as duas vão saindo num mar de lágrimas)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Minha amada

Feita de rosas é minha princesa
Curvas de ninfas tem minha rainha
Igual a uma fada com sua varinha
Demonstra com charme que tem destreza

A mais bela de todas, com certeza
Ela tem o rosto de uma mocinha
Aprendeu desde cedo a ser sozinha
Sem nada ou ninguém que a deixasse presa

Rosto molhado tem minha amada
Rosto molhado pela solidão
Uma tristeza por ela criada

Como algo que entristece o coração
Uma chuva forte e descompassada
Que nos alaga, turvando a visão

terça-feira, 22 de abril de 2008

Soneto dos meus avós



Sô neto do Nelson e do Zaía
Todo domingo, eles, vou visitar
Todo domingo mesmo, sem faltar
Nem se chovesse muito eu faltaria.

Primeiro vou no sítio pra nadar
Comer jabuticaba e melancia.
Depois como doces e porcarias
Porém isso já no Zaía’s bar.

Meus dois avós têm muitas diferenças
Desde a moradia até fisicamente
Contudo isso não altera a convivência

Porque mesmo eles sendo diferentes
A nossa vida não é como pensa
Mas ela é vivida plenamente.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Provas de amor



Flores do inverno,
Neve do verão,
Noite-claridade,
Chuvas de algodão,

Árvores do deserto,
Brisa do furacão,
O sal da água doce,
As dores da paixão,

O fogo que congela,
A companhia da solidão,
A luz que escurece,
A vida em Plutão.

São coisas que não existem
Mas farei acontecer
Se acaso minha rainha
Assim você querer.

terça-feira, 8 de abril de 2008

O Colar Amaldiçoado

Flores no jardim. Borboletas e pássaros enfeitavam a bela fachada do casarão. Enfeitavam o local onde estava sendo dada uma festa. Aquela que mudou a minha vida:
Já era noite, todos os convidados já haviam chegado. Como era de costume na minha família, logo após a chegada do último convidado era que se começava a abertura dos presentes pra enfim ser entregue o bolo_ ninguém sabia qual era o fundamento desse costume, mas todos nós o seguíamos rigidamente.
Comecei a abrir o primeiro presente, um lindo vestido saiu da caixa com seu tecido leve e aveludado; outros vieram depois desse.
Porém, quando o último foi aberto, eu e os outros, que lá estavam comigo, notamos que havia um presente jogado no chão, ninguém se declarou sendo a pessoa que mandara o presente e o mais curioso era que todos da festa já tinha declarado mandantes dos outros que já haviam sido abertos.
Mesmo não sabendo quem era a pessoa que me deu aquele embrulho, abri a fita negra que se encontrava em torno de um papel roxo e áspero, que foi aberto com uma delicadeza capaz de prevenir que fosse rasgado. Por baixo do mesmo havia uma caixa retangular de bordas arredondadas, feito de um mármore cor de sangue_ não sei como obtera essa coloração, mas era exatamente a cor do material de que aquele objeto fora feito.
Abri o belo estojo e vi nele, cintilando, pedras que alternavam as cores da fita, do papel e da caixa. As contas foram dispostas de uma maneira que se reproduzisse um lindo colar, tendo como um pingente as iniciais do meu nome: Beatriz Jane Soares.
Até então eu estava sentada abrindo o presente, porém, ao ver o colar, me levantei e agradeci pelo mesmo, caso o mandante ainda estivesse no local.
Os anos se passaram e eu sempre com aquele colar no pescoço. Apesar de não ter nenhum valor sentimental para mim, nunca me desfiz dele.
Porém, num dia, conheci uma pessoa, foi amizade a primeira vista, só que durou poucas horas, nós até queríamos continuar a nos falar, contudo nossos caminhos se tornaram contrários. Ele me pediu uma lembrança e a única coisa que eu tinha era o colar, tirei-o, coloquei no seu pescoço e num gesto de adeus dei-lhe um beijo no rosto.
Foi muito desgostoso perder uma amizade logo que começou, mas no outro dia, na mesma hora em que havia conhecido Carlos, vi na TV o seguinte anuncio:
_Acaba de ser encontrado o corpo de um estudante que apresenta indícios de homicídio. Segundo os familiares da vítima, que já estão no local, seu nome é Carlos Rocha.
Ao ouvir o nome da vítima e ver seu retrato na tela, senti um aperto no coração parecia que minha casa era um forno de tão sufocante que estava, decidi tomar um ar e vi algo que me lembrou do passado: um presente envolto em um papel roxo, amarrado com uma fita negra e acima um bilhete escrito “Isso não me pertence Beatriz”.
Lembrei que durante a conversa com Carlos, havia contado toda a história do colar e pensei que ele poderia ter vindo entregá-lo antes de morrer.
Fui ao seu enterro, com o colar no pescoço, após ele ser enterrado fiquei vagando sem rumo, pensando no porquê de ele ter me devolvido aquela jóia, andei horas até que parei numa praça e nela eu encontrei um amigo da minha época de pré-escola, foi impressionante ver que o tempo não havia mudado o Leandro fisicamente e sua boca ainda tinha aquela aparência de rosas que deixava todas as garotinhas apaixonadas por ele. Como antes, quando eu era pequena, fiquei louquinha quando ele tocou a minha face com seus lábios. Conversamos bastante e quando já era noite ele começou a falar do colar
Leandro elogiava muito aquele adereço e de tanto ficar falando eu o presenteei com o mesmo.
Voltei para a casa de táxi. Com a conversa que tive com o Leandro me esqueci da dor que estava sentindo pela morte do Carlos e pude dormir sem medo.
Contudo, no outro dia, fui para o mesmo local que havia encontrado meu amigo de infância e para a minha surpresa uma aglomeração de pessoas se reunia envolta do mesmo banco em que eu e ele estávamos sentados, quando consegui penetrar aquela barreira humana um sentimento de terror e agonia pairavam no ar que eu tragava pesadamente.
O corpo de Leandro estava todo esfaqueado, no mesmo local e com a mesma posição que estava ontem. Corri feito uma louca, minhas lágrimas chegaram a congelar ao tocar a minha pele fria e mórbida, porém quando tudo não podia piorar eu cheguei em casa e vi aquele presente com o mesmo bilhete “Isso não me pertence Beatriz”.
Até então o horror de ver o cadáver do Leandro me perseguia, porém quando eu vi aquele embrulho um terror maior tomou conta do meu ser.
A família do Leandro velou o seu corpo durante um dia e minutos após o enterro eu fui visitá-lo, afim de não encontrar nenhum familiar, mas não foi bem o que aconteceu.
O irmão da vítima estava ainda lá e quando eu cheguei me deu um abraço e começou a chorar, me disse muitas coisas sobre o irmão, porém eu já estava com uma agonia muito grande por perder dois grandes amigos então disse a ele que eu era a última pessoa a quem se poderia pedir consolo, contudo eu daria o meu colar como forma de consideração ao irmão dele que havia gostado muito daquele adereço.
Ele disse que não poderia aceitar o presente, mas eu pedi que aceitasse em nome do Leandro. Após a minha fala, ele me beijou agradecendo-se e foi embora. Já eu fiquei lá chorando aos pés do túmulo pensando no que levou a morte dos meus amigos.
Voltei pra casa ainda pensando nisso e liguei as duas mortes, nos dois casos eu havia dado o colar e nos dois o colar havia retornado a mim do mesmo modo que o vi pela primeira vez. Na certa aquela jóia era amaldiçoada, mas só lembrei que já tinha dado o colar para alguém quando já era noite.
Procurei por todo o canto saber alguma coisa sobre o irmão do Leandro, passei a noite em claro, contudo não consegui nada, já tinha em mente o que iria acontecer a ele, estava quase desistindo, porém quando eu olhei para o espelho da minha penteadeira mandei um beijo para o meu reflexo_ gesto que me dava força e vontade para fazer algo_ continuei a procurar o contato, mas em vão, pois as seis horas da tarde do outro dia vejo o anuncio na TV:
_Morreu hoje a uma hora atrás um jovem que foi visitar seu irmão no cemitério, morto anteontem, esfaqueado na Praça Central da cidade.
Quando eu ouvi isso fui correndo para fora de casa e vi o embrulho com um bilhete em cima, desta vez com uma continuação: “Isso não me pertence Beatriz, porém pertence a você minha amada, que custa a me trair beijando aqueles rapazes”.
Quando eu li o bilhete ouvi uma voz vindo de traz de mim:
_Até então você pensava que o colar era amaldiçoado, mas eu mandei-o como um aviso. BJS não era as suas iniciais e sim a sigla de beijos. Eram os seus beijos que ditavam a morte de quem você beijasse, porém você saiu amaldiçoando varias pessoas inclusive você ao beijar o seu reflexo e por isso merece a morte!
Depois do anuncio de que eu morreria rapidamente peguei o colar e coloquei no pescoço do assassino que apunhalou meu coração e se matou depois, pelo último beijo que havia dado, antes de morrer.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Os ingredientes da felicidade

São inúmeras as causas da alegria, são tantas que algumas passam por despercebido durante o dia-a-dia. Mas alegrem-se, eu estou aqui para ajudá-los a perceber.
Aqui vai uma listagem de todas, ou quase todas, as pequenas causas da alegria:
Primeiramente, deixar de ficar triste já é uma causa de alegria; descobrir que o seu celular tem três reais em crédito, quando você pensava que já havia acabado; a energia elétrica voltar bem quando está começando a novela; comer um X-tudo bem caprichado; acordar de bem com a vida; até acordar pode deixar alegre; um sorriso de alguém; um abraço de bom dia; um beijinho de boa noite; um cobertor quentinho no inverno; ver alguém feliz, inclusive crianças felizes; além de que só o fato de termos esta lista em mãos, já nos deixará felizes.
Por isso, agora que conhecemos algumas das causas da alegria, vamos utilizá-las para preencher todas as vinte e quatro horas dos nossos dias, pois alegres viveremos bem.

terça-feira, 25 de março de 2008

Uma Jornada Para a Vida - Última Parte: O Dia da Fusão

Trinta e cinco luas para a Cerimônia da Fusão, durante trinta e cinco luas sendo torturados. Nossos cinco jovens contavam as horas para a união das duas dimensões. Porém, o mais curioso era o fato de que um soberano que cobiçava o poder e a dor dos outros estava também contando o tempo para realizar a cerimônia que daria todos os privilégios a ele e a mais ninguém.
Qual o porquê desta espera? Era a pergunta feita mentalmente pelos nossos amigos.
A cada chicotada que levavam, lembravam do quão enganados foram, enganados por Serena, enganados por Celeste, enganados até por eles mesmo e pela esperança de voltarem a vida.
A cada hora que se passava as lembranças da dimensão natal vinham a tona, os finais de semana badalados, as diversões das horas vagas, os passeios no zoológico local, os momentos que estavam juntos, o sorvete repartido em cinco, a última semana na escola, em pensar que Marcos não queria andar de montanha russa, se tivessem escutado o pessimismo talvez não teriam passado por estes momentos. Mas se não tivessem ido no brinquedo talvez não partilhariam da amizade que naquele momento era enorme, não acreditariam tanto uns nos outros como agora acreditam, poderiam até se separar para sempre, mas não se separaram. Ficaram juntos nas horas ruins, ficaram juntos nas horas boas, estavam juntos naquela hora difícil, até repartiam o mesmo calabouço e isso foi o maior erro de Dom Mortis.
_Já se passaram dois dias_ Marcos quebra o gelo daquela noite escura.
_Dois dias_ John diz melancolicamente algo para não deixar o amigo falando sozinho.
_Cinco dias para a Fusão, e não fizemos nada a respeito.
Após o deboche de Helena, Roni retruca:
_Fazer o que? Nós já perdemos. Dom Mortis não disse para vocês? Não há como sair deste mundo, não existe a Jornada.
_Se não existe, por que esperamos a mesma? Por que esperar os dias da Jornada acabar se ela nem começou?_ Clarisse fala alto como se quisesse que Dom Mortis ouvisse.
_Concordo com você Clarisse, aliás, eu venho me perguntando isso durante essas dez luas_ John toma a palavra_ E não somos só nós dois, aposto que todos estavam pensando nisso. Se aquele ordinário já tem poder o bastante para unir os dois mundos por que não o faz?
_Será que a Jornada existe ainda?
_Lógico que não seus idiotas, a Jornada acabou, não há mais meio para sairmos daqui, nunca houve_ Roni fala com a dor no peito de ter sido fortemente enganado, de ter quase chegado a sua terra natal.
_Cale a boca Roni, com certeza há meios para sairmos daqui, senão Dom Mortis também não poderia sair, ele também foi como a gente_ diz Marcos.
_Isso também é verdade, se ele pode, nós também poderemos_ Helena diz concordando com Marcos.
_Então ta, supondo que a Jornada não é uma farsa, o que temos que fazer para terminar a última prova?_ Roni diz não aceitando a idéia de que ainda tinham chances.
_Segundo Serena, ou Celeste temos que matar Dom Mortis_ Clarisse responde.
_E vocês acham que podemos fazer isso, primeiro não temos nossas armas, segundo ele tem poder para unir duas dimensões paralelas e por fim ele é imortal_ Roni debocha.
_Imortal? Se ele fosse imortal não estaria tirando a vitalidade das almas que padecem neste mundo. E quanto as armas não tenho muita certeza se realmente perdemos_ diz Marcos
_Como assim não tem certeza? Você viu com seus próprios olhos elas se esfarelando_ Clarisse discorda.
_Exatamente, mas não eram as relíquias que tinham o poder e sim os meteoritos vindos das luas que deram origem ao poder_ Marcos esclarece.
_Você pode estar certo, porém vamos esperar mais vinte e cinco luas para termos certeza disso_ John declara bolando um plano para o Dia da Fusão.
_Por que só neste dia? Se podemos fazer algo por que não fazemos agora?
_Simples: nestes dias, antes da Cerimônia, há vários monstros guardando a prisão, porém no último dia em que Imaginação e Realidade deixarão de ser distintas ele precisará destes monstros para começar a aterrorizar o outro mundo, e é neste intervalo de tempo que devemos agir.
Após aquele dia, nossos guerreiros fingiram a dor e a agonia, durante todas as vinte e cinco luas. Quando chegou o último dia da Jornada a frieza do calabouço parecia ter cessado, não dava mais para sentir a presença dos espíritos que guardavam a prisão, com certeza a Cerimônia da Fusão estava começando.
Quando se passasse da meia noite, ou melhor, quando as luas se alinhasse no céu, de cada uma das dimensões se veria a outra se aproximando a cada minuto que se passava até colidirem e magicamente se fundirem.
Chega a noite, a lua de Chamarion é a primeira a aparecer no céu, atrás dela vem Térreon, Ventis, Aquarion e Mundus e com elas o principio do plano de John.
Antes de tudo eles tinham que conseguir suas armas e como ordem do chefe do grupo eles invocaram o nome de sua lua protetora, cada uma delas lançou uma luz extremamente forte na direção dos cinco e com ela veio o poder de cada um.
Roni ainda não acreditando quis testar se era verdade e apontando para as grades feitas do mais resistente aço fez com que as mesmas se derretessem rapidamente.
_Agora você acredita que ainda temos chances?
_Acredito que temos poderes, mas matar Dom Mortis será impossível.
Foram subindo as escadas e afugentando os espíritos que ainda estavam guardando as prisões, após subirem todos os degraus, os cinco jovens se deparam com o ser mais falso e ilusório daquele castelo. E este era Serena.
_Vejo que ainda vocês têm esperança quase mortos tolos, não sei como arrumam sabendo que tudo será de Dom Mortis_ debocha Serena.
_Dei-nos licença Serena. Celeste. Vem cá, qual o seu verdadeiro nome?_ Marcos diz já acostumado com a idéia de que aquela fada os traiu.
_Meu nome não é importante no momento, agora as suas mortes completas serão decretadas agora.
_Se é o que você pensa.
Os cinco jovens foram com tudo para cima de Serena. A fada decaída ficou impressionada quando viu que os poderes dos nossos guerreiros tinham voltado e mais forte do que antes, mesmo não tendo as armas, a energia que emanavam deles era até maior que as suas, sendo assim foi derrotada rapidamente.
Quando ela caiu no chão tomou a forma de Celeste e nessa forma disse docemente e em pausas:
_Era isso que eu esperava de vocês meus jovens guerreiros, agora vão e destrua Dom Mortis, mas lhes digo: se caso a Cerimônia começar não poderá ser revertida a situação, se os dois mundos se fundirem nem com Dom Mortis morto eles se separaram.
Aquela notícia foi meio duvidosa para os cinco, porém era a pura verdade, mesmo vinda de alguém que não merecia confiança o que seria feito nem os magos mais poderosos poderiam mudar.
Sem dar muita atenção a fada, contudo ainda tendo a imagem da boa Celeste, eles seguiram para fora do castelo e lá encontraram o Soberano do Mundo das Cinco Luas no centro de um círculo com o desenho de duas circunferências que pareciam estar se movendo uma de encontro à outra.
As luas estavam se alinhando e o tempo para acabar o ritual estava acabando. Dom Mortis usou o seu poder para criar um clone, pois se saísse de onde estava quebraria o ritual que já havia começado.
_Com apenas essa cópia eu posso destruir vocês.
_Uma já nos subestimou, não cometa o mesmo erro ou será banido antes que comecemos a luta.
Marcos, após sua fala, corre em direção ao clone de Dom Mortis, porém quando chegou perto da cópia se afundou no chão do castelo e saiu do outro lado quase chegando no Soberano de verdade, porém invisivelmente uma barreira impediu o ataque de Marcos, tanto subterraneamente quanto fora do solo.
_Não há maneiras de me atacar, em volta de mim existe uma barreira que impede entrada e saída de qualquer coisa.
Nisso Roni manda uma flecha de fogo no clone, que desvia, porém ainda recebeu uma queimadura de leve em seu ombro e no mesmo instante o ombro de Dom Mortis se queima no mesmo local de seu clone.
_O quê? Como isso aconteceu?_ diz Dom Mortis quase se desconcentrando do ritual.
_Parece que tudo o que acontece com esta cópia, acontecerá a mesma coisa com o demônio.
_E nem mesmo quem realizou o feitiço sabia sobre disso_ Clarisse diz criando um temporal de vento, trovão e muita chuva.
Quando os primeiros pingos caíram, Helena e Roni começaram a atacar a cópia e exatamente todos os ataques sofridos pela mesma, Dom Mortis sentia como se fosse nele mesmo.
John fez com que todos os poderes do cinco se reunissem num só criando uma única energia que ao ser lançada, dissolveu Dom Mortis e sua cópia, com todo o terror que ele havia criado naquele mundo de esperança. Porém, no mesmo instante em que as luas se alinharam, e com isso, mesmo com a morte do Demônio Quase Morto, foi aberto o portal dimensional unindo as duas dimensões não em fusão, mas sim com um portal que se abre de dez em dez anos, pois a Cerimônia mesmo não terminada teve um breve começo e como Celeste havia dito, o que foi feito nunca mais morreria.
E é por isso que comemoramos o Dia da Fusão de dez em dez anos, pois neste dia lembramos dos cinco heróis que salvaram as duas dimensões do Tirano Dom Mortis.
_E esses heróis, professor Marcos? O que aconteceram com eles?
Uns dizem que ficaram no Mundo das Cinco Luas como governantes, outros dizem que eles vivem entre nós como cidadãos normais, mas o que todo mundo sabe é que em algum lugar das duas dimensões eles estão vivos, sempre amigos e ajudando sempre quem precisa.

sexta-feira, 14 de março de 2008

O Admirador Secreto

Sou aquele que te ama e te tem paixão
Sou somente um escravo deste amor
Sou a vida que é morte, que é dor
Sem você perto do meu coração

Sou aquele que foge da tua visão
Sou aquele que por ti sente um ardor
Quem foge da vontade do Senhor
Alguém que quer unir nossa emoção

Se acaso me perguntar quem eu sou
Não responderei de modo direto
Contudo responder assim eu vou:

Sou aquele que não julga ser o certo
Por esconder na verdade quem sou
Alguém que é teu admirador secreto

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Uma Jornada Para Vida - Parte V: A Descoberta

A despedida foi difícil, acordar e ver um lugar vazio era difícil, mas a Jornada continuava e mesmo com o peso da lembrança e da saudade teriam que concretizar a promessa feita no vilarejo, teriam que concluir todas as três provas. Agora num intervalo de tempo muito pequeno em comparação com o tempo que tinham antes: das trezentos e sessenta e cinco luas só tinham mais cem para completar a Jornada, vinte dias terrenos para receber o enigma da prova e concluí-la.
Passaram por diversos apuros e só pensavam em acabar a Jornada. Roni foi burro por ter escolhido sair desta Dimensão, mesmo conseguindo a vida, Dom Mortis iria fundir as duas dimensões se alguém não o derrotasse.
_ Droga! Cadê Celeste com a terceira prova?_ disse Clarisse preocupada com o tempo que ainda se restavam.
_ Calma mana, nós vamos conseguir_ disse Marcos tentando animar sua meio-irmã.
_ Vamos continuar, por todos que sofrem neste mundo_ disse John querendo por um fim na tirania de Dom Mortis.
_ Vamos continuar pelas nossas vidas e também por Roni que acabou desistindo da Jornada, mas mesmo assim continua sendo nosso amigo.
Quando Helena pronunciou o nome de Roni aquelas palavras ecoaram e cortaram as Nuvens de Pandora, nisso a imagem fosca e transparente do amigo querido aparece no ar dizendo em cortes.
_ Armadil... Cuida...
Logo a imagem desaparece e a de Celeste aparece, só que mais forte e nítida que a do Roni:
_ Meus quatro quase mortos, o dia do término da Jornada está próximo, seja ele bom ou mal para vocês_ Celeste faz uma breve pausa e logo volta a falar_ na terceira prova não haverá dilemas nem enigmas, só uma coisa irei falar, concluir a prova não será tarefa fácil o soberano do Mundo das Cinco Luas vocês terão que matar, onde e quando iram o encontrar, vão saber quando enfim a chuva chegar.
_ Como não haverá enigmas? O que é esse negócio de chuva?_ Helena diz cheia de dúvidas na sua cabeça.
_ Do mesmo modo que resolvemos as outras provas vamos resolver esta, a única dúvida que eu tenho é sobre o Roni que apareceu para nós todo machucado e não conseguia dizer uma palavra corretamente_ fala John preocupado com o estado de seu amigo.
_ Roni escolheu partir antes do término da Jornada, com certeza Serena está tentando pregar uma peça em vocês. Tchau e nos veremos quando concluírem a última prova_ nestas palavras como sempre Celeste some como uma névoa sendo soprada pelo vento.
Após a fada ter partido decidiram continuar a seguir as Nuvens de Pandora que só trouxeram uma chuva cinqüenta luas depois da última aparição de Celeste e com ela veio a seguinte notícia:
_ Todos os habitantes do Mundo das Cinco Luas estão sendo convocados para pagar o imposto de vida no Castelo da Neblina Negra.
Os quatro já sabiam que era lá onde Dom Mortis estaria e foram ao seu encontro para concluir a prova e em fim a Jornada.
Quinze luas depois a chuva descobriram onde ficava o tal castelo e passaram rapidamente pelos monstros que usavam a neblina da construção para atacar os que tentassem entrar sem o conhecimento do tirano e quando chegaram à sala do trono viram aquele ser que causava o terror naquele mundo e ao seu lado estava sua fiel serva: Serena.
_ Vejo que se atreveram a tentar concluir essa prova, espero que não pensem que vão conseguir. Desta vez eu nem vou tentar atrapalha-los, nunca conseguirão matar Dom Mortis_ disse Serena vangloriosamente sobre os nossos guerreiros.
_ Quieta fada inútil, se é a mim quem eles querem, sou eu quem deveria responder. Mas tenho que concordar que é grande o atrevimento desses quatro.
_ Sim nós nos atrevemos para salvar as duas dimensões_ disse John elevando a coragem do seu grupo.
_ Tolos! Pensam que sabem alguma coisa sobre esse mundo? Aquilo que meus servos falaram, sem meu conhecimento, não é nem a metade do que deveriam saber_ Dom Mortis diz com seu sorriso flamejante impregnando o ar com cheiro de enxofre_ quem entra no Mundo das Cinco Luas entra para nunca mais sair, eu adoro ver o desanimo tomar conta da face daqueles que não passam das provas e gosto ainda mais daqueles que olham para dentro do portal dimensional e vêem a sua Dimensão Natal, mas ao entrar por ele caem no meu calabouço e o melhor de tudo já acorrentados e prontos para começar a sessão de tortura.
_ O que? Então Roni...?_ Helena diz com uma cara de horror não terminando nem a sua fala.
_ Exatamente minha jovem, confesso que fiquei surpreso com a ligação forte que vocês têm, criando até uma espécie de dialogo telepático entre os cinco. Sorte que minha fada decaída logo criava uma interferência entre as suas conversas não é mesmo Serena, melhor dizendo, Celeste.
Quando Dom Mortis diz isso, Serena deixa a sua forma horrenda e assume a bela forma de Celeste que diz:
_ Olá meus jovens guerreiros_ após o deboche, solta uma breve gargalhada.
_ Celeste?! _ Diz Marcos indignado por ter sido enganado durante toda a Jornada.
_ Acho que vocês estão começando a entender um pouquinho do propósito da Jornada, mas preciso dizer só mais uma coisinha, eu fui o primeiro quase morto que habitou o Mundo das Cinco Luas, do mesmo modo de vocês meu corpo se desgrudou da alma quando eu morri e assim vim para esse mundo. No começo odiei esse lugar, mas com o tempo fui aprendendo os feitiços, as artes mágicas desta dimensão, e quanto mais eu aprendia mais forte eu ficava, assim quando absorvi todo o conhecimento mágico deste universo convenci os habitantes daqui a criar uma espécie de jornada para ajudar quem caísse nesse mundo a voltar para sua Dimensão Natal, todos adoraram a idéia, mas por trás de tudo isso, comecei a roubar a energia vital dos que aqui chegavam, no começo demorava-se para chegar novas almas, porém consegui usar a energia que eu roubava das pessoas e assim pude fazer viagens dimensionais, podendo assim criar ocasiões para uma quase morte, e foi assim que aconteceu com vocês, eu que soltei um dia antes os cintos de segurança daquele brinquedo, e por mim é que vocês estão presos neste mundo_ Dom Mortis faz esse discurso como se tivesse desatado um nó de sua garganta.
_ Ora seu Monstro!_ John sai correndo na direção do Tirano e aponta direto para ele sua Adaga.
_ Vejo que o heroísmo está nas suas veias_ Dom Mortis diz isso apontando o dedo direto para a arma de John, que se esfarela toda como se fosse uma rocha fraca e como ela todas as armas esfarelaram-se, e então continua no seu discurso_ ainda não estão satisfeitos, ainda não estão entendendo, quer que eu desenhe para vocês, desde quando pisaram nesta Dimensão já eram meus servos, todas as suas tentativas de me destruir era em vão, vocês só estavam fazendo um papel de heróis para o meu divertimento, uma pré-apresentação para o espetáculo maior “A Fusão das Duas Dimensões”, aonde a Imaginação e a Realidade irão se coincidir numa perfeita harmonia, mas claro comigo sendo o soberano do novo mundo essa harmonia se quebrará em tristeza e destruição, pena que ainda faltam sete dias ou como eles falam aqui trinta e cinco luas para eu fazer a Cerimônia da Fusão, mesmo a Jornada não existindo tenho que esperar o tempo continuar, porém melhor assim, já que poderei roubar o que resta de vitalidade em vocês, Sombras da Agonia joguem esses ditos heróis no calabouço daquele outro garoto.

Querida Matemática

(Este poema eh especialmente para a miha professora d matemática
que ficou com ciúmes por eu estar redigindo textos agora, lu este eh pra vc)

Como adoro ser exato,
Sem segundas intenções.
Gosto de ir direto ao ponto,
Sem rodeios e explicações.

De ter uma só resposta,
Sem gerar mil confusões.
De pensar logicamente
De pensar nas soluções.

Nossos cérebros fervilham,
Nossas mentes adormecem,
Pensando na matemática,
Que de nós nunca se esquece.

Ela parece um tormento
Para todos que não a entende,
Na verdade é amiga
Para agora e para sempre.

Ela rege a nossa vida
Com cálculos complicados
E suas formas geométricas
São reflexos do passado.

Os seus paralelepípedos,
Seus retângulos e esferas
Constituem nosso planeta,
O nosso planeta Terra.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Uma Jornada Para a Vida - Parte IV: A despedida

Todos no mundo das cinco luas adoravam os nossos jovens, eles seriam a chance de liberdade para todos daquele mundo, mesmo a liberdade sendo uma morte era melhor do que aquele lugar, mas nenhum dos nossos guerreiros ficava contente com aquilo, a responsabilidade era grande, se fracassassem não seriam só eles que iriam sofrer da tirania de Dom Mortis, agora mais do que nunca teriam que concluir a Jornada.
A festa para comemorar a primeira prova durou cinco luas, a felicidade era geral até os novos quase mortos se divertiram. Logo após o término da festa eles partiram incansavelmente para o norte, e seguiram para esse caminho durante setenta e cinco luas, tendo assim passados quinze dias da chegada deles na vila, enquanto caminhavam tinham na cabeça um único pensamento: a segunda prova.
_ Do que nos adiantou terminar a primeira prova treze dias após termos começado a Jornada se a segunda está demorando muito para aparecer?_ diz o pessimista da turma que não recebeu resposta alguma, todos estavam preocupados pela mesma razão: como iriam concluir em setenta e três dias terrenos a Jornada, se as provas não começassem nesse intervalo de tempo.
Ao cair da noite todas as cinco luas pairavam sobre a cabeça dos jovens. Na vila onde havia ocorrido a festa ouviram que seus amuletos eram uma das mais fortes armas já dadas durante uma Jornada, suas pedras preciosas eram partes que caíram das luas no mesmo dia da tomada do trono por Dom Mortis, assim cada um tinha um protetor nos céus:
Roni era protegido pela Lua de Chamarion, Marcos pela Lua de Térreon, Clarisse tinha como guarda a Lua de Ventis, Helena a Lua de Aquarion, e por fim a Lua de Mundus era a protetora de John.
Todos esses nomes eram dos cinco reis que governavam o Mundo das Cinco Luas, mas após a chegada de Dom Mortis estes foram presos e os habitantes nomearam as luas com seus nomes em forma de agradecimento e respeito aos verdadeiros reis da Dimensão da Imaginação.
Decidiram acampar a céu aberto num deserto de cristais que coloriam o céu com o reflexo das luas.
Os jovens já estavam dormindo menos Roni que se levantara para tomar um ar, olhou o céu para ver os desenhos dos cristais, voltou a cabeça para o chão e quando olhou de volta os desenhos, este tinha a forma de Celeste que disse:
_ O caminho mudou e não precisará de seus amigos para concluir a segunda prova, ande para Oeste lá achará essa prova.
Sem pensar duas vezes ele foi para Oeste não havia acordado ninguém, seguiu sem deixar pistas, a única coisa que tinha deixado para trás era seus amigos.
O dia amanheceu e os quatro quase mortos deixados para trás acordaram e logo perceberam que a cama de Roni não estava mais lá, até Roni havia desaparecido. Procuraram num raio de trinta metros e voltaram sem nada e quando os quatro se reuniram no acampamento uma luz saiu dos cristais jogados no chão formando novamente Celeste:
_ Seu amigo foi enganado, Serena o confundiu, disse a ele que o caminho da prova foi mudado e pelo Oeste ele seguiu_ e continuou_ a dica da segunda prova é a seguinte, sigam para o norte como de costume, ou sigam o que seus corações mandar, dois caminhos podem levar a um mesmo lugar, concluirão a prova se a amizade for maior.
Como da primeira vez não entenderam nada do enigma, mas do aviso de que Roni foi enganado entenderam muito bem, e como ele, seguiram para oeste.
Estavam indo numa direção contrária a da prova, mas a amizade entre eles era o maior laço que os unia não importava se uma era reclamona ou se outro era pessimista, uma era simplesinha ou se o outro era egocêntrico, nem a prova importava mais, só o que importava era a amizade dos cinco.
Andaram uns dez quilômetros até chegarem numa cidade fantasma, ou melhor, uma cidade de fantasmas, a morada dos fantasmas degolados, que eram espíritos que arrancavam as cabeças do corpo de suas vítimas para usá-la em si mesmo, e também das mortes ambulantes, outro espírito só que esse era negro e possuía um olhar que poderia levar qualquer um ao suicídio.
Não tinham nem idéia de onde estavam se metendo, um leve suspiro cortava suas gargantas e saía em forma de fumaça, todo o ar estava ficando mais denso tudo era silencio.
Quando não conseguiam mais ver nada olharam para o fundo daquela neblina densa e viram dois pontos vermelho sangue que iam aumentando de tamanho e vinha em suas direções.
Clarisse conseguiu ver rapidamente seu irmão e este já havia pegado uma pedra pontiaguda do chão e estava apontando para o peito, num piscar de olhos ela invocou o poder de seu Anel, e fez toda a neblina desaparecer, conseguiu salvar Marcos quando ele estava prestes a cravar aquela pedra no seu peito.
John e Helena mais que rapidamente afugentaram a morte ambulante, mas não foi o suficiente logo os quatro foram rodeados por vários dos dois tipos de espírito mais perigosos do Mundo das Cinco Luas, Marcos já curado do transe faz uma cúpula de areia envolta de seus amigos.
Nisso ouvem uma voz conhecida:
_ Deixem meus amigos em paz _ a voz de Roni cortava aquela cúpula de rocha.
Saíram do escudo de Marcos e olharam para o telhado de uma casa e lá estava ele usando sua Coroa.
_ Roni você está bem?_ disse Helena.
_ Como conseguiu espantar os espíritos?_ perguntou John.
_ Foi fácil, os fantasma daqui temem o fogo_ e ele continua_ Por que me seguiram Celeste disse para mim que eu teria que vir sozinho?
_ Não era a Celeste era a Serena que estava te enganando_ Marcos responde a pergunta de Roni.
_ E como vocês sabem se a que apareceu para vocês não era a Serena.
_Ora porque... porque... a gente tem certeza_ responde Clarisse indecisamente.
_ Mas isso não importa agora, já que estamos juntos novamente temos que desvendar o enigma sendo ele da Celeste ou da Serena_ disse o manda-chuva do grupo.
_ Qual era a pista?_ Roni pergunta.
_ Era mais ou menos assim “Siga para o Norte, ou para onde o nosso coração mandar, dois caminho podem levar a um mesmo lugar, e vamos concluir a prova quando a amizade for maior”.
_ Ah! Então é isso! Vocês seguiram os seus corações até aqui por que a amizade entre nós é maior que a própria Jornada?
Quando Roni falou isso outro Roni apareceu se arrastando por detrás de um casarão:
_ Não acreditem... nela, ela é... a Serena que se transformou em mim.
_ Sua mentirosa, você tentou roubar a minha Coroa e eu te derrotei novamente.
_ E agora quem é o Roni verdadeiro?_ Marcos fala indecisamente.
_ Já sei vamos brincar de Dê um Passo à frente_ diz John bolando um plano.
_ Quer brincar numa hora dessa_ diz Clarisse.
_ Faça o que eu to falando.
Assim os quatro começaram a cantar uma musiquinha:
_ Vamos brincar de Dê um Passo à Frente, que o Roni de verdade de um passo à frente.
Nisso o Roni que estava com a Coroa muda o seu passo, numa velocidade imensa ele leva um chicote de água bem na barriga e quando cai mostra sua verdadeira forma:
_ Como vocês descobriram, eu quem dei um passo à frente?
Para responder essa pergunta o verdadeiro Roni se levanta escorando nas paredes daquela casa velha:
_ No nosso mundo... quando brincávamos di... sso nós cantávamos... qualquer música e no final... falávamos para alguém dar... um passo a frente e esse... estaria fora do jogo.
_ Isso mesmo e agora você está fora do jogo_ John diz com seu Punhal na mão.
_ É o que vocês pesam, hoje descobri que as suas armas têm poderes quase invencíveis e com elas poderei derrotar facilmente todos vocês como fiz com seu amigo.
_ Disse bem, quase invencíveis.
Após John dizer isso, levanta o seu punhal e invoca o seu poder, ao mesmo tempo Serena invoca o poder da Coroa, mas o líder do grupo faz o mesmo ir contra quem estava o invocando, e esta era a Serena que deixa a relíquia cair e foge derrotada.
Após Serena sumir da vista dos cinco jovens, Celeste aparece resplandecente acima dos nossos guerreiros, num passe de mágica cura os ferimentos de Roni e ela fala:
_ Como presente da segunda prova terão a chance de voltar para a sua dimensão tendo assim sessenta e seis por cento de chance de vida, aceitam a proposta ou continuarão na Jornada.
Todos estavam sentindo o peso da responsabilidade em suas costas menos Roni com seu egocentrismo em alta disse sem pensar:
_ Eu aceito a proposta Celeste.
_ O que? E todos os que vivem nesse mundo? Só pensa em você? E nós? Vai nos deixar para trás?_ Helena fala com lágrima nos olhos.
_Venha comigo todos vocês, nunca teremos chances de terminar essa Jornada, com certeza chegarão outros quase mortos tão bons ou melhores que agente.
_ Espera aí o pessimismo é meu, você não tem nada que usá-lo. E como não conseguiremos, nós somos fortes e se formos agora, mais tarde Dom Mortis dominará as duas dimensões_ diz Marcos novamente mostrando que o pessimismo não era a única coisa que ele possuía.
_ É verdade Roni desta vez Marcos esta certo enfrentando ou não esta prova ainda iremos sofrer nas mãos deste tirano, não vá agora nós precisamos de você_ Clarisse diz do mesmo modo que Helena, chorando na despedida do amigo.
_ Pessoal se é isso que ele quer não podemos julgá-lo, mas vai ser melhor se ele for, não precisamos de alguém que não se importa com os outros_ John diz já com um peso enorme na sua consciência.
_ Agora não poderá voltar com a sua palavra, uma vez dito que quer sair deste mundo quando se termina uma das provas sairá sem que ninguém interfira, nem mesmo a pessoa que disse_ diz Celeste comovida com a cena, e continua_ e que assim seja a sua ordem ó Cavaleiro das Chamas, Senhor da Coroa de Chamarion.
Nestas palavras, Celeste abre uma fenda dimensional que o levou direto para o seu mundo ou era isso que os cinco pensavam onde ele estava indo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Uma Jornada Para a Vida - Parte III: A Responsabilidade de Cinco Heróis

A primeira prova se passara, mas o pior estava por vir. Duas ainda faltavam e pelas informações que Serena havia dado e Celeste confirmado, nossos jovens só tinham cerca de sessenta dias terrestres para concluí-las com êxito agora que se passaram treze dos setenta e três dias que tinham no começo da Jornada, e isso não era muito bom para eles.
Ninguém dos cinco quis partir para o mundo dos vivos logo na primeira prova, pois seria uma burrice da parte deles, sendo que só teriam aproximadamente trinta e três por cento de chance de vida, apesar de quererem sair dele o mais rápido possível não poderiam correr o risco de morrer por um capricho.
Com a primeira prova concluída continuaram para o norte, sempre seguindo as Nuvens de Pandora, conhecidas neste mundo por cruzar os céus incansavelmente nesta direção, levando consigo várias notícias e espalhando-as por toda a parte em forma de chuva, era assim que tudo o que acontecia no Mundo das Cinco Luas era levado para todo o canto.
Estavam muito cansados depois que saíram da floresta e andaram durante oito dias sem descansar nada até que acharam uma cidade, onde decidiram passar a noite, não havia um ser com características humanas naquele lugar, sorte a deles que a aparência de todos que viviam no vilarejo não correspondia aos seus comportamentos, senão estariam totalmente mortos.
Encontraram uma espécie de taberna, e logo foram falar com o dono, este uma espécie de inseto cascudo, cheio de pernas, meio desengonçado, porém gentil como um gato ronronando. Quem tomou a palavra foi John que disse:
_ Senhor, eu e meus quatro amigos estamos procurando um lugar para dormir será que o senhor não tem alguns quartos livres.
_ Tenho dois quartos. Mas, desculpe a minha indiscrição, será que eu posso fazer uma pergunta?
_ Pode sim_ respondeu Helena horrorizada por estar conversando com um inseto.
_ É que ontem choveu aqui no vilarejo, e com a chuva veio a notícia de que cinco quase mortos conseguiram concluir a primeira prova, por algum acaso são vocês estes quase mortos?
Eles ficaram ressentidos em responder, aquilo poderia ser outra cilada de Serena, só que Marcos estava perdendo seu ar pessimista e respondeu sem medo do que lhes aconteceria:
_ Sim, somos nós os quase mortos que acabaram com Serena, salvaram a floresta de seus feitiços e assim concluíram a primeira prova da Jornada.
_ Então temos que fazer uma festa, são poucos os que conseguem passar da primeira prova tendo começado a Jornada treze dias antes, assim ficam mais próximos da última prova e de salvar a todos os que vivem neste mundo de desgraça.
_ Salvar todos os que vivem aqui? Mas, estas provas não são para salvar as nossas vidas?_ disse Roni com seu egocentrismo em alta.
_ São, se quiserem que sejam. Se decidirem partir ao concluírem a primeira ou a segunda prova só vocês poderão ter o descanso eterno, mesmo vivos ou mortos não viveram neste mundo de horrores, porém se concluírem todas as três provas além de continuarem vivos em seus mundos darão a todos que não conseguiram terminar a Jornada um descanso e não a escravidão num mundo onde a morte é a melhor escolha.
_ Então o senhor quer dizer que a felicidade de todos que vivem no Mundo das Cinco Luas estão em nossas mãos?_ pergunta Clarisse sentindo o peso da responsabilidade pairando sobre suas costas.
_ Como eu já disse só se quiserem que seja. Nós não queremos colocar esta responsabilidade em vocês, mas ficaremos muito gratos se fizerem isso, porém ainda ficaremos felizes se conseguirem viver livres da tirania de Dom Mortis.
_ É a segunda vez que escutamos esse nome, quem é esse tal de Dom Mortis?_ pergunta Marcos.
Para responder esta pergunta um outro ser surge por detrás dos nossos guerreiros falando numa voz de terror e medo:
_ Dom Mortis é o tirano e soberano do Mundo das Cinco Luas, é ele quem criou a Jornada para a Vida, tudo com o intuito de conseguir servos que o ajudam dando toda a sua energia infeliz, assim quanto mais sofrer e agonizar neste mundo mais poderoso Dom Mortis ficará.
_Antes de ele aparecer aqui_ contínua o pobre ser_ este mundo era repleto de alegria e felicidade, toda a mitologia do seu mundo virava realidade aqui, nós tínhamos fadas, unicórnios, sereias e outros seres, mas quando ele apareceu tudo isso acabou. A maioria das fadas se tornou decaídas, todos os unicórnios foram mutilados e esgotados por causa do seu sangue prateado detentor da vida eterna, e o que existe agora são só as sombras da agonia, os fantasmas degolados, as feiticeiras da noite eterna, as mortes ambulantes e outras feras e espíritos malignos, todos criados para atrapalhar os que caem neste mundo em que hoje só existe desgraça.
_ Então este mundo é a imaginação terrena que se faz realidade, portanto se morrermos ou não aqui, não fará falta alguma isso é só imaginação.
_ É o que vocês pensam, todos desta vila, menos eu, foram quase mortos como vocês, eles são os que não conseguiram concluir a jornada, mas se isso continuar durante alguns anos a imaginação e a realidade irão se fundir criando uma só dimensão onde claramente Dom Mortis será o soberano. Imaginação ou não o mundo real irá padecer deste se alguém não completar a jornada.
Os cinco e todos que estavam na taberna ficaram horrorizados com as palavras daquele centauro, John e seus amigos prometeram ficar até o fim da Jornada não só para salvar suas vidas e sim para salvar as duas dimensões, para salvar a Realidade e a Imaginação.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Uma jornada para a vida - Parte II: A primeira Prova

Vinte e cinco luas se passaram, e sempre para o norte, nossos desorientados amigos andavam na direção que Celeste havia apontado, andavam na direção de suas vidas.
_ Vamos parar para descansar pessoal, cinco dias andando sem descanso pode matar qualquer um, até um meio morto como nós_ disse Clarisse caindo ofegante no chão.
Nisso Roni retruca:
_Quanto mais cedo acharmos e concluirmos as provas, mais cedo estaremos em casa.
_ Mas se elas forem muito difíceis? Nunca teremos chances_ Marcos mostra imponentemente seu gênio pessimista.
_ Nós já estamos tão desanimados de cansaço, e agora você quer nos desanimar mais ainda?_ Fala Helena também já quase caindo.
_ Oh pessoal! Por um a lado o Marcos ta certo, como enfrentaríamos uma prova sendo que todos nós estamos quase morrendo?_ fala a vós da sabedoria do grupo, e essa vem de John impondo seu ar de líder acima do comportamento de todos.
Os cinco acham uma floresta densa e profunda, porém seu verde transmitia toda a tranqüilidade que eles haviam sentido na presença de Celeste, adentraram na mata fechada e logo acharam um lago cristalino onde iriam acampar naquela noite.
Repartiram as tarefas para ajudar no treinamento com suas armas:
Helena tinha que pescar os peixes, isso foi fácil para ela, era só fazer com que, telepaticamente, eles entrassem na rede; Marcos teria que montar o acampamento, com a sua Pulseira fez uma rocha gigante sair do interior da terra e rapidamente fez um sulco fazendo uma espécie de caverna onde os cinco iriam passar a noite, John ficou com o trabalho de pegar a lenha e do mesmo jeito que Helena fez, ele atraiu os galhos das árvores para o acampamento; os outros dois que sobraram tinham um trabalho fácil, porém não sem importância: um teria que ascender a fogueira e assegurar que ela não apagasse, esse era o trabalho do Roni; e por fim Clarisse tinha que assegurar que o tempo não mudasse uma chuva ou algo parecido iria acabar com o descanso dos cinco.
Já à noite, estavam todos reunidos ao lado da caverna esculpida pelas Pulseiras de Marcos, as luas estavam lentamente circundando todo aquele mundo tenebroso, até que quando uma delas se alinhou perpendicularmente à fogueira, ouviram a doce voz de Celeste:
_ Boa noite meus jovens, chegou a hora da primeira prova e a dica é a seguinte: “Encontrem o bem que está dentro do mal e o mal dentro do bem, continuem na floresta, este caminho lhes convém”
_ Celeste onde você está? Explique esta dica, não entendemos nada do que disse_ Marcos diz se levantando pelo susto que tomara com a voz de Celeste.
_Como vocês já devem bem saber todas as dicas serão enigmas ou pensam que vidas são baratas, e como já havia dito “vocês não me verão, ou só se eu quiser que me vejam”.
_ Mas Celeste, de só uma ajudinha para nós_ Marcos continua suplicando.
_ Não posso fazer mais nada, só desejar sorte para vocês.
As palavras de Celeste foram impregnando todo o pensamento dos jovens, tinham que rapidamente resolver o enigma da prova, suas vidas estavam em jogo.
Passaram a noite ainda na floresta, esta era a pista mais clara dentre as outras que Celeste deu naquela noite.
Quando o Astro Rei mostrou a sua face eles acordaram, levantaram acampamento e seguiram para o norte adentrando-se mais ainda na floresta densa.
Quando enfim chegaram numa clareira ouviram um som de súplica vindo do lado contrário a seus caminhos:
_ Vocês ouviram isso?_ Marcos diz medrosamente olhando para trás.
_ Alguém deve estar em perigo, devemos voltar para ajudar_ Helena diz querendo prestar socorro.
Roni, como sempre discordando das idéias de compaixão, retruca:
_ Não podemos voltar, não se lembram “sigam sempre para o norte”, aliás, acabamos de vir de lá com certeza não há ninguém precisando de ajuda senão nós veríamos antes não acham?
Após o discurso egocêntrico de Roni eles ouvem novamente um som e esse de uma fera selvagem prestes a atacar. Sem pensar duas vezes os jovens guerreiros voltam e encontram uma pobre garotinha sendo encurralada por um leão enorme.
_ Socorro! Me ajudem! Este Carnotoque quer me devorar_ diz a Garota a dois segundos de ser o lanche matinal de um Carnotoque.
_ Helena tome esse recipiente, ele está cheio de água_ diz Roni bolando um plano para afugentar a fera.
_ Ta certo, já entendi_ Helena pega o tal recipiente e o abre fazendo uma bola de água bem a sua frente.
_ Ainda tem pouca água! Marcos e John vão lá e distraíam aquele gato gigante, e Clarisse crie uma chuva_ ainda Roni concretizando seu plano.
Enquanto Marcos e John tentavam distrair o Carnotoque, Clarisse tentava criar uma chuva para que Helena tivesse mais água para o plano de Roni. Quando enfim a quantidade de água estava pronta ele usou o poder da sua Coroa e fez com que a bola de água, que Helena fez com a ajuda de Clarisse, se transformasse em chama crepitante e com ela fez o Carnotoque fugir.
_ Muito obrigado amigos, meu nome é Jasmim, estou presa a este mundo desde quando a minha quase morte foi decretada, com certeza são os cinco novos quase mortos de quem eu ouvi falar, não são?
_ Sim, mas como você sabe?_ pergunta Roni interessando-se pela garota.
_ Notícias ruins voam tanto na Terra como aqui.
_ Notícia ruim? Nós salvamos você e ainda nos chama de notícia ruim?_ Marcos, indignado com o mau agradecimento de Jasmim, retruca.
_ Nunca a vinda de alguém para esse mundo é uma notícia boa, só a partida recebe essa denominação, porém notícias boas são difíceis ou até impossíveis de acontecer.
_ Como assim? Quer dizer que sair desse mundo é praticamente impossível?_ pergunta Clarisse.
_ Dos poucos quase mortos que passaram pelas provas metade não passou nem da primeira, um terço não terminou as provas no tempo determinado e só os restantes conseguiram chegar até a ultima prova, pois todos os que tinham chances partiam após acharem a solução da segunda.
_ Eu escutei bem ou você disse que tem um tempo determinado para concluir as provas?_ retruca Helena.
_ É verdade, Celeste não disse nada sobre limite de tempo_ John confirma assustadoramente.
_ Isso você só descobre depois que o tempo passa, pelas minhas contas são trezentos e sessenta e cinco luas de tempo, levando em conta que a cada noite cinco luas cruzam o céu daqui, vocês tem em torno de setenta e três dias terrestres para concluir as três provas, sendo assim, vinte e quatro dias por prova.
_ Então desses setenta e três dias já usamos cinco, portanto ainda temos tempo de sobra para concluir as três provas sendo que já temos uma dica forte em relação a primeira_ John fala vangloriosamente.
_ Não é bem assim, apesar de terem a pista de que a primeira prova acontecerá nessa floresta, vocês terão um terreno de quatrocentos quilômetros quadrados cheios de feras como Carnotoques e outras para poder achar o bem que está no mal e o mal que está no bem_ Jasmim diz meio que jogando praga nos cinco jovens.
_ Espera aí, como você sabe da dica que a Celeste nos deu?_ Marcos mostra que o pessimismo não é o que entrava em vigor na sua mente.
_ Vejo que, por distração minha, vocês descobriram a minha identidade_ nestas palavras Jasmim sobe aos céus e todo o verde da floresta se tornou negro, vários Carnotoques rodaram os cinco e Jasmim desce num formato horrendo dizendo_ Meu nome é Serena, sou uma fada decaída e sempre que um quase morto começa a habitar o Mundo das Cinco Luas eu fico encarregada de atrapalha-los para que fiquem aqui e sejam servos de Dom Mortis.
_ O mal que está no bem? Nós já achamos a segunda parte da prova, mas só falta o bem que está no mal_ pela primeira vez Marco diz algo não desanimador.
_ Mas quem é o mal, quem nós julgamos como o malvado nessa prova?
_ O Carnotoque, com certeza um deles tem o bem dentro de si.
Quando Clarisse disse isso um dos monstros saiu em disparada na direção dos cinco, todos já estavam preparados para atacar, porém quando a criatura estava quase perto dos jovens deu um pulo indo diretamente até Serena que caiu. E Nisso toda a floresta se liberta do encantamento dela e os Carnotoques se transformam em vários animaizinhos que habitavam a floresta antes da Jornada começar.
Com todo o encantamento acabado, Serena se levanta e diz para os nossos guerreiros:
_ Desta vez vocês escaparam, mas prometo que nas próximas duas provas irão padecer em minhas mãos.
Serena some na imensidão do céu e nossos cinco amigos continuam a Jornada sempre indo para no norte.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Uma jornada para a vida - Parte I: O início

Que legal ir ao um parque, que legal se divertir num parque, mas o que não é nada legal é sofrer um acidente em um parque.
Cinco jovens quando andavam na montanha russa, por motivos de falta de manutenção do brinquedo, seus cintos estavam frouxos e se soltaram de uma altura não tão grande, mas que poderia levar a morte.
Quando sentiram seus corpos desgrudando com imensa força do assento do brinquedo pensaram ter morrido, mas não foi exatamente o que aconteceu.
Os cinco estavam vivos e dormindo em camas de folhas tão aveludadas quanto as pétalas de uma rosa.
_ Até que em fim vocês acordaram. Dos que eu fiquei encarregada vocês são os mais dorminhocos_ disse uma fada linda de cabelos cor de ouro e olhos cor dos céus, sua silhueta era de invejar qualquer miss do mundo.
_ Encarregada? Então não morremos?_ Helena perguntou.
_ Bem estão mais mortos do que vivos no mundo de vocês_ explicou Celeste, a fada.
_ Como assim, estamos no céu?_ perguntou John, o mais velho e dito chefe dos cinco.
_ Não. Estão num lugar onde reclamarão por suas vidas e para isso terão que se submeter a três provas que vão testar se vocês podem ou não continuar vivos na Terra.
_ Mas, porque nós, não poderíamos só morrer como acontecem com os outros?_ retruca Marcos, o caçula e mais pessimista da turma.
_ Marcos, pare de pedir para a morte, garoto idiota_ diz Clarisse a meio-irmã de Marcos.
_ Mesmo com seu tom pessimista irei responder: Ao caírem daquele brinquedo suas almas ficaram soltas do corpo, pelo fato de vocês terem levado um susto ao morrer, assim quem sofreu o acidente foram seus corpos e não suas almas, por isso que poderão ter a segunda chance.
_ Se é a única saída daqui então nós vamos fazer a prova, explique-nos como devemos começar_ disse o mais decidido da turma, e este era Roni.
_ Começar vocês já começaram, mas digo novamente só saíram daqui quando terminarem as provas, a cada prova que se submeterão vão poder escolher entre continuar na jornada ou voltar para a Terra, mas quanto mais longe da terceira prova vocês decidirem sair menos chance terão de sobreviver.
_ Pelo que eu entendi estas provas valem exatamente a nossa vida, então nela não vamos correr o risco de morrermos?_ novamente Marcos com suas idéias pessimistas.
_ Vocês correrão sim esse risco, neste mundo as criaturas malignas estão transitando em maior quantidade que as do bem como eu. E por isso presentearei vocês com as seguintes relíquias: Roni receberá a Coroa das Chamas, com ela você poderá controlar o fogo ou fazer até a água virar uma chama viva como se esta fosse álcool; Helena terá o Colar dos Oceanos, assim controlará tudo relacionado a água, como os peixes; Marcos receberá as Pulseiras das Montanhas, com um simples olhar criará terremotos ou fará montanhas nascerem do solo; o Anel das Tempestades ficará com Clarisse, com ele você poderá transformar o dia ensolarado em uma manhã chuvosa ou poderá fazer uma leve brisa virar um furacão enorme; E por fim John ficará com o Punhal do Universo, sendo assim controlará todas as outras relíquias podendo até neutralizar seus poderes, isso além de poder controlar tudo que possui vida. Agora que já têm suas armas sigam sempre para o norte e lá acharam as provas, vou estar sempre com vocês, porém não me verão, isso só se eu quiser que vocês me vejam...
Nestas palavras Celeste some como se fosse uma nuvem ao vento, e os cinco jovens começam a sua jornada.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Vidas literalmente opostas

Olá, eu sou um antigo pobre cachorro de vários nomes, como Fido, Rex, Monicão, enfim, são tanto que, se eu falasse todos a vocês, consumiria no mínimo uma folha destas. Isso aconteceu por eu ser sempre jogado fora pelos meus donos humanos, mas prefiro ser chamado de pelo meu nome atual, que em minha opinião é o mais bonito, Manchado. Agora eu vou contar para vocês como eu o consegui, se prepare, por que esta história não é para qualquer um.
Lá estava eu com minha vidinha dita fácil, num dos bairros que eu mais gosto, o Cemitério de Boi, que ganhou esse nome devido ao grande número de açougues nele presentes, não sei como eles viviam com a concorrência, mas isso não vem ao caso agora.
Entrei no açougue do único humano de quem gostava: o Matador ou Mané para os menos íntimos (até que ele era igual a mim, tinha mais de um nome). Só que para a minha surpresa o Rafinha, meu futuro dono, e sua mãe estavam lá. Nunca gostei da presença dos dois naquele açougue, mas era lá que eles incansavelmente faziam suas despesas.
Sua mãe comprou um belo pernil temperado, refogado e pré-assado, era só esquentar um pouquinho, mas pra mim nem precisava. Por causa da minha fome e com aquele pernil dançando na minha frente, nem prestei atenção nas pelancas que o Matador jogara no chão e, sem querer, segui o Rafa e sua mãe até o carro deles, só que aquela chata da dona Filó não me deixou nem olhar a cor do carro e já foi jogando pedras em mim e o Rafa nem se mexeu, mas como? Com a sua mãe, ele não se metia. Comecei a latir de raiva.
Minha raiva foi tanta e meus latidos foram tão fortes que cheguei a acordar uma borboletinha brilhante que escreveu no céu com uma letra mais bonita que esta que você vê agora. Nelas dizia:
_ Um será outro, outro será um, cachorro será gente e vice-versa, até aprender a conviver e essa é a promessa.
No mesmo instante que acabei de ler, me senti estranho, olhei para o lado e vi dona Filó, só não a ataquei, porque um negócio me prendia, me controlei, olhei para o outro lado e vi o Rafa num quadradinho fora de onde eu estava e achei tão engraçado que comecei a dar risada. O Rafinha fazia todo o movimento que eu fazia, até na risada. Aquela mulher chata me perguntou o que estava acontecendo comigo, mas eu estranhei ela me chamar de Rafael até que me olhei e levei um susto: eu era realmente o Rafael, dedos sem pêlos e garras, cabelos loiros, olhos azuis, eu estava corretamente sentado numa poltroninha macia e um cinto de segurança me prendia, fiquei calmo e lembrei da borboleta; nisso dei um grito:
_ Dona Filó! Me leva pra casa.
Ela se assustou também, não entendeu nada e quase se descontrolou do carro e me prometeu que quando chegássemos em casa, eu levaria uma surra. Eu não queria nem saber, só queria voltar para o Cemitério de Boi, fiquei gritando a viagem inteira até que paramos no bairro Carrocinha, o que me apavorava, cachorro só entrava lá de coleira e nome no pingente. Fiquei com muito medo, mas lembrei que nada me aconteceria, eu era humano naquela hora, mesmo que eu não gostasse, eu era humano.
Saí do carro de quatro pés, dona Filó já me pegou pelo cangote e me levou para o quarto, eu achei que era o do Rafa, mas não era. Ela abriu o guarda-roupa e me deu uma cintada falando:
_ Não era isso que você queria, já está em casa, agora vai para o quarto.
Mesmo sem saber onde o quarto era me encontrei na casa, mas também vasculhei tudo, até chegar à porta do quarto que estava escrito “Cães raivosos! Não entre”. Achei engraçado, entrei e achei mais engraçado ainda, os tais cães eram miniaturas, tinha cachorro até no edredom. Enganei-me, não eram todos os homens que não gostavam dos cães, um exemplo era o Rafa.
Quando veio o Rafa na minha cabeça me lembrei da borboleta e de sua frase. Segundo ela, cachorro seria gente e vice-versa. Realmente eu não sabia o que era vice-versa, apesar de “culto”, eu não sabia, tinha que achar alguém para me explicar essa expressão, contanto que esse alguém não fosse a dona Filó. Andei mais um pouco pela casa e encontrei a Maria, que descobri ser a irmã mais velha do Rafael. Logo que eu perguntei o que significava ela começou a rir sem parar até me xingar de burro, apesar de eu ser um humano, porém ainda respondeu que era em sentido inverso.
Após a sua explicação, apesar de ter sido meio confusa, troquei as palavras: cachorro será gente e gente será cachorro. Nisso corri para a cozinha, mandar dona Filó me levar para o Cemitério de Boi, dando-lhe como desculpa que eu queria um doce que tinha visto no açougue do Matador. Ela, ainda brava e sem entender nada, pergunta:
_ Quem é esse tal de matador moleque dos diabos?
Eu disse que era o Mané onde ela comprara o pernil. E ela disse:
_ Só amanhã, amanhã.
Eu fiquei desesperado e perturbando “minha mãe” (hoje é assim que a chamo), querendo ir para o meu bairro querido, tendo sempre na cabeça o Rafael, como ele iria fazer pra ficar um dia inteiro sozinho naquele bairro. Com isso só ganhei outra surra, porém ainda iria para o Cemitério de Boi, no próximo dia.
Fiquei a tarde inteira deitado naquele quarto observando os cães nas prateleiras, os hidrantes que serviam como escoras para uma mesa com o formato de um disco, ossos desenhados para todos os lados, tudo parecia realmente o mundo dos cães, mas o meu pensamento estava todo voltado para o Rafa, todos dizem que vida de cão é vida fácil, porém não é bem assim e ainda mais se for um cachorro de rua. Esta era a única coisa que habitava a minha consciência até que Maria da um berro na porta do quarto:
_ Rafael! Seus amigos que vão passar a noite com você já estão lá embaixo te esperando.
Foi como se um trem tivesse me atropelado, estava sem sentidos, sem ação, não sabia o que fazer, mas não tive outra escolha, tinha que passar noite inteira com eles, mesmo não sabendo como é que se fazia isso. Quando cheguei até eles foram logo me cumprimentando e me dizendo tudo que iam fazer, sorte a minha que eles já tinham uma listagem desse “tudo”. Foi muito divertido passar a noite com eles apesar de eu não entender nada do que eles diziam, era brôu de um lado, mano do outro, uma loucura só. Dormi tarde e logo acordei, “meus” amigos já tinham ido embora e eu fui correndo acordar dona Filó. Ela me levou para o Cemitério, com raiva, mas levou. Eu só pensava em como fora dura a minha vida humana e como também foi difícil a vida de cão do Rafa. Quando lá chegamos, eu vi meu corpo feliz pulando no colo do Matador e dei um grito:
_ Rafael!
Ele olhou para mim nele e pulou do colo do Mané correndo e correndo na minha direção e eu na dele. Quando nos tocamos um relâmpago de luz e brilho caiu do céu que estava mais limpo e azul que o próprio oceano, eu olhei para cima e vi o rosto do Rafinha olhando com lágrimas a minha face e desse dia em diante passei a ser chamado de Manchado, o cão que foi gente.

Meu lobinho estah com fome de um bife para ele.