Olá pescadores de plantão agradeço por passarem aqui no meu Lago dos Sonhos e peço pra que, se possível, vcs deixem comentários sobre os textos, afinal sem eles naum terá como eu saber se estão ou não gostando do blog.
Também se puderem, deixem seu e-mail para q eu possa agradecer os comentários e a visita.
À seu falso rubro cabelo Qual brasa em sangue vertida De puro e natural vermelho Qual veia, qual duto de fogo, Qual rosa ferida de espinho
Oh! Náiade do Vesúvio Que faz das lavas Seu rio caudaloso Das pedras, seu bosque florido De mim um incêndio cardíaco
Oh! Moça de corpo de fogo De cabelos crepitantes Quem não tem amores Tem amantes Mulher de vida flamejante
Mulher de vida, sou seu homem Homem que por, não seu canto Mas seus curvos cantos, Seu colo ardente e escamado, Naufraga a nau, qual frágua em labaredas
Oh! Dama das rochas líquidas Peço como o servo que meramente sou Me queime em sua fornalha Me ferva, me verta em magma Me faça fagulhar de amor.
Quatro paredes, noite de insônia, dois opostos seguindo aquilo que a física impõe: atritos, do sôfrego macho, incessantes, fecundando e saciando-se com aquela que ali o esperava. Daí sua concepção, daquela noite mal dormida de um dia em que o coração de mais palpitar, como a si, outros também o quis. Assim concebida estava, mas sentia-se ainda morta sem ter aquele que a animasse. Existia para si e em si, portanto ainda não se era. Esperou o sol deslizar seus rudes braços pelo seu corpo plano, até que aquele que seu parto fizera veio a ela dar seu sopro de vida. Cada fonema emitido de suas palavras eram suas células tomando vida, cada palavra expressada de seus versos eram seus órgãos em funcionamento, cada verso proclamado de suas estrofes eram seus membros tomando forma, por fim cada estrofe formava seu delgado e uniforme corpo. até enfim viver.
Dias atrás vinha conhecendo uma garota, poderia dizer ter sido amor a primeira vista, mas isto não faz parte de minhas crenças então não direi. Porém foi algo parecido, já que lá, ainda longe de mim, sem notar que alguém como eu poderia existir, ela me encantava.
Talvez fora seu meigo sorriso, que de longe pareciam um arco cintilante de marfins, talvez seu olhar natural de mulher sedutora, que sem saber convidava o meu olhar a segui-lo ou até seu andar flutuante, que toda mulher na flor da idade aprende a usar para ter voltado para si todos os olhares de cobiça, luxúria e desejo.
Aos poucos a distância se encurtava e por intermédio de uma amiga ela me conheceu, afinal eu já a conhecia ou como disse vinha conhecendo.
Passaram-se meses, aquilo que eu sentira, que para mim era instinto masculino, passou a se tornar algo mais puro, um pouco mais insento daquele jogo de sedução e um Q a mais de algo que até então nunca havia sentido, portanto ainda não inventara um nome.
Era estranha a nossa relação. Pensar que éramos amigos se tornava impossível a medida que percebia que não era aquilo que eu queria para nós dois.
Mas a minha burrice, ou ingenuidade, ou até a minha falta de experiência me fazia ser fraco e continuar a forjar uma amizade, da qual eu até gostava, aliás adorava, mas que dia após dia retalhava-me a alma.
Até que num dia como os outros, como todos, percebo que conhecera duas garotas quando minha amiga apresentou-a a mim. Ambas eram identicas física e psicologicamente, daí eu me confundira. O único algo que as diferenciavam eram seus amores.
Descobri que enquanto uma gostava de um conhecido meu, que mais tarde viria a saber que fora seu ex, a outra gostava de mim.
Vendo por esse lado tudo estava perfeito afinal uma das duas, as quais eu me apaixonara pensando ser uma única pessoa, gostava de mim. Porém descobri que não era dela que eu gostava, gostava era da outra.
Só de vê-la perto de seu ex meu corpo se corroía num ciúmes que seria aceitável se acaso estivéssemos juntos, enquanto a que gostava de mim eu a deixava do meu lado,por mais que eu não correspondesse com suas espectativas ainda era amigo dela, ainda era amigo dela(s), ainda sou amigo dela(s), ainda amigo dela(s), amigo dela(s), ELA(s)
Um violino alado negro Do pretume da noite da rua Decidiu fazer seresta Pro sol em vez de pra lua Já que em seu cantar noturno Ninguém nunca sequer suportava Levava logo um tabefe Assim sempre desafinava Então um dia testou Começar carreira diurna De início detestou Perdera sua vida gatuna
Pouco ele conseguia Nem sequer uma nota saía Os tabefes eram ligeiros Seu corpo contrastava no dia Então não mais que decidido Procurou se adaptar Viu que a moda não era a monocromia E seu corpo quis esbranquiçar Então feito uma zebra O violino alado zebrado Com pintas e listras tão brancas Viu-se o novo sucesso das rádios
Hoje em dia tá famoso O ex noturno violino Tem até nome artístico Com palavra e termos latinos O seu público ele leva a loucura (Dizem até que pode matar) Com suas notas finas sonoras E o novo sucesso que vai lançar: Segundo especulações da imprensa No nome tem "hemorrágica" E pode ser relançamento Assim pressupomos dengue hemorrágica.
De novo, de repente
Novamente, como sempre
Como desde cedo vem sendo
Desdo o primeiro amor crescente
Me apaixonei por mais outra uma
Uma que até pensei não ser igual
Mas ainda não foi diferente
Aos poucos crusavam-se olhares
Que aos poucos viravam palavras
Aos poucos disfarçadas cantadas
Que se perdiam como no oceano os mares
Num oceano de conversas
Com singelas indiretas
E diretas singulares
E o tempo corria em liberdade
Sem ninguém se declarar
Até um lado desistir
Deixando-me sem a verdade
Mas com uma única pergunta:
Como deixei mais esse amor
Contagiar-se com a amizade?
Nesse que aqui nesta terra, Como em outras do ocidente, Vê-se listras paralelas Uma de cor neutra outra quente Sendo esquerdas o pálido branco E direitas o vermelho do poente
Enquanto do outro lado do mundo No olho rachado da rua Correm estas mesmas listras Mas diferentes são as suas São brancas as que vermelhas eram E as vermelhas, brancas como a cheia lua
[desculpem a demora das postagens, to sem net :( ]
Seu olhar nunca havia mentido para mim, era certo que algo me escondia, mas o quê? O que fazia suas pernas tremerem ao perguntar onde estava, mesmo que em minha voz eu forçosamente escondia a desconfiança? Nunca soube responder, na verdade sabia, mas não queria saber. A cada uma de suas saídas via minha curiosidade ser atiçada, mas eu não procurava simplesmente descobrir o que fazia sondando-a. Minha natureza investigativa me obrigava a sondar a minha mente para procurar, com meus próprios pensamentos, intuir o que ocorria. Sempre fiz isso. Desde quando bebês eram entregues pelas cegonhas, solucionava casos da vida com o simples observar dos fatos, fui obrigado a passar a fase do “Por quê?” mudamente pelo meu avô que treinou-me a não precisar de ninguém muito menos nas horas de dúvida. Segundo ele e sua teoria desenvolvida junto a um colega: as pessoas vivem a enganar às outras e a si mesmas. Por mais que exista uma série de outros sentimentos acima de tudo há o egoísmo, sendo os restantes meros variantes deste último que era o único e unânime sentimento no mundo, portanto um simples sinônimo de sentimento. Durante mais dois ou três anos passei a pensar se seguia ou não a ideologia do velho enquanto este me treinava nela e aos poucos intuí por conta própria que já estava atrelado a tal ideologia, tudo que eu fazia estava voltado ao que ele ensinara a mim antes de morrer. Ainda infante com meus cinco anos de idade passei a desenvolver a tese do falecido, assim nos primeiros anos de escola minha mente já estava socialmente formada na ideologia de Narciso. Minha intuição era cada vez mais exata e ágil, portanto minhas notas eram sempre excelentes apesar de minha frequência às aulas ser notavelmente baixa. Até chegar à conclusão de que a escola não me servia mais fiz minha freqüência ir de baixa a nula de uma semana à outra, desse modo desvinculei-me totalmente dessa entidade já que, como de nada, também não precisava dela.
Com apenas onze anos passei a intuir que outra instituição já não valia a pena, e nesta idade fugi na certeza de nunca mais voltar, nem por contra própria e nem por outrem, à minha casa. Já nos meus quinze percebi que não precisava mais de ninguém, já me bastava por si só. Dinheiro eu conseguia como detetive particular; morada, com dinheiro; solidão, com morada; e me aprofundar na ideologia do defunto, com solidão. Os casos mais freqüentes que eu resolvia e por sua vez os mais fáceis eram os de traição. Eu via o parceiro do cliente traindo-o ou não só de olhar para tal cliente, tudo era óbvio nestes casos: por mais que os locais de encontro fossem inusitados e originais um letreiro luminoso sempre aparecia diante de meus olhos “Aqui fulano trai cicrano com beltrano”. Como eu disse tudo era óbvio nestes casos, antes de Lia. Esta morava próximo ao escritório que eu montara com o dinheiro dos cornos e dos que não o eram (mas viriam a ser por regra geral) que me contratavam. A primeira vez que a vi foi como ter a minha frente um espelho, um reflexo meu nela, e com isso intuía que aos poucos eu me entregaria ao egoísmo amor e que uma hora ou outra seria o meu mais novo cliente, e como sempre eu acertei mais uma intuição. Eu sabia que era traído, como também anteriormente sabia que seria. Na lógica era para estar conformado, mas sem que eu compreendesse não estava. Agora não mais me perguntava “o quê?” (pergunta que fazia para apaziguar minha guerra interior) me perguntava “por quê?” (pergunta-estopim para que uma nova batalha recomeçasse). Minha mente provava por “a + b” que eu era traído, contudo o idiota do coração não queria acreditar, fazia-me persistir no mesmo erro, erro que eu cometera há um ano passando a viver com Lia. Por mais que o egoísmo me prendesse a ela, estar ali sempre ao seu lado ia contra tudo o que o velho me ensinara, tal sina corroia meu corpo como a ferrugem, o ferro. Tinha de me separar dela, mas não conseguia. Até perceber que era ela quem deveria afastar-se de mim. Passei a criar maneiras para fazer com que ela definitivamente não se visse em mim, já que eu não conseguia não me ver nela, desse modo fui me tornando cada vez mais insuportável a ela quanto aquela guerra era para mim. Até que um dia Lia começou a me observar com o mesmo olhar que eu fazia ao observar um caso, olhar que até então pensei ser exclusivo dos seguidores da ideologia de Narciso. Com a mesma expressão ela disse: — Por que ainda persiste nesta ideologia que só o destrói? – simplesmente não entendi nada. “Quem era aquela descrente para conhecer a ideologia que o defunto me ensinara?” Ela continuou em tom de deboche – bem que meu pai dissera que seu colega levava muito a sério aquele negócio de ideologia. Eu não podia somente ouvir e emudecer-me, então intuindo o que para mim já estava óbvio retruquei: — Agora entendo o motivo do olhar, você também foi criada na ideologia de Narciso. — Criada fui, mas da maneira certa – ela disse com um ar que para mim é o de prepotência. — Maneira certa? Não existe maneira certa ou errada, só há uma maneira a que o defunto e seu pai criaram e na qual crescemos. — Como disse, meu pai sempre dizia que aquele velho levava muito a sério a ideologia, pelo que deduzi você se isolou da sociedade fugindo do egoísmo, contudo não é da natureza humana esquecer o seu ego, o seu próprio egoísmo, aí está o erro da sua formação. Quem entra muito a fundo na ideologia de Narciso, privando-se do egoísmo do mundo e acima de tudo o seu próprio egoísmo forma em si um botão de autodestruição e pelo que eu vejo o seu já está completo há tempos só restando a você esquece-lo, reavendo o seu ego ou apertá-lo de vez, continuando com aquilo que acreditara seu avô. Ao final de sua fala percebi que a guerra terminara de vez, como ela ousava por em xeque a ideologia do velhote e me dar alternativas para seguir. O espelho que via nela estilhaçou-se inteiramente, e meu coração no mesmo estado custava a recompor-se da perda da guerra. Saí da casa onde morávamos e comecei a andar sem rumo, procurando como sempre deduzir o que acabara de acontecer até perceber que aquela que minutos antes fora minha amada passou a me estudar desde a primeira vez que me vira, testou-me procurando saber como era o ápice da ideologia que o defunto e seu pai desenvolveram. Eu que procurava afastar-me cada vez mais acabei me tornando um experimento da ideologia de Narciso. Por um instante admirei a perspicácia e audácia com a qual Lia usou-me, criando e mascarando sentimentos, confundindo a minha intuição. Até que me percebi numa ponte, neste momento intuí pela última vez uma só coisa: apertar definitivamente o botão do qual Lia me havia falado.
Nova vida, vida nova Vida nova, vida minha Bem melhor a vida nova Do que as outras que eu tinha? Aventuras inesperadas Me esperam no caminho Pessoas desconhecidas As quais conhecerei sozinho
Vida nova essa vida Que paira na minha frente Vida nova, vida minha Vida nova diferente
Oh memórias de outra vida Que a sete chaves guardo E que nesta nova vida Vem como um triste fardo Pois por mais alegre que seja Esta minha nova vida Ela tomou o altar sagrado Das belas horas de antes Horas essas já perdidas
Por que ser poeta? Antes disso me pergunto Por que ser alguém? Ninguém te conhece pelo que és Talvez nem conheçam o que realmente são Mas sabem de cor e salteado o que fazes E também o que não Sem ao menos desconfiar Qual o porquê de ser poeta?
É fácil fazer lágrimas acariciarem rostos tristes É fácil fazer sorrisos rasgarem-se de orelha a orelha É mais fácil ainda temer ao ponto de sentir baforadas gélidas sobre o ombro O difícil é ser poeta E ao mesmo tempo querer ser alguém
Poeta não chora Poeta não ri Poeta não teme Já que todo poeta Só serve para criar emoção E nunca provar Da sua criatura
Foi uma corrida intensa, ganhei de mais de trilhões de concorrentes, vibrei ao ver aquela esfera me esperando, deliciei-me ao perceber que estava já dentro daquilo que enfim me deixaria viver.
Sentia penas utópicas fazendo-me cócegas, ouvia vozes puras, advindas daquela luz que me acompanhava desde minha concepção, cantando para mim. Sentia transformar-me: tão logo via membros saindo do meu corpo uniforme e disformemente humano, via meu sexo formar-se, via meu ser inteirar-se.
Apenas seis meses, complicações, aquilo que me prendia aos poucos se desgrudava, me sentia um assassino que ao invés de compartilhar da vida daquela que me sustentava, roubava a mesma desta mulher.
Vi outra luz, aquela que me acompanhara já se apagara há tempos, esta era mais forte tanto que me cegara instantaneamente. Pouco a pouco fui retomando minha fraca visão, até ofuscadamente ver os olhos fechados, sua pele se escondia na cor da parede. Era ela. Aquilo doeu por dentro, aquilo me fez calar, meu choro mudo cantava àquele corpo, cantava àquela alma que sorrindo me acariciou e sumiu na alvez da sala de parto.
Cresci, só, naquela máquina, que pensava ser ou parecer aquela que se despedira de mim tão cedo. Apesar de aquecida tinha a frieza de um metal, apesar de aconchegante tinha a morbidez daquela imagem que quisera não ter visto ou já que vira quisera ilusoriamente esquecer.
Recebia visitas constantes de mulheres de branco que pensavam estar me amamentando com o melhor leite, mas pra mim tinha gosto de saudade, saudade daquilo que ainda não vi ou senti.
Chegava a hora de eu receber alta, não entendia pra que, não tinha alguém com quem estar o mais próximo de parentes eram os homens e mulheres de branco além daquela máquina que pensava ser minha mãe.
Fui pequenino pra um orfanato e lá cresci, maltratado, criança represada que crescia querendo ser criança, criança querendo sê-la sem ter espaço psicológico para isso.
Secava as lágrimas todos os dias, o tempo passava e me desidratava enquanto um oceano se formava em minha volta afogando todos que me maltratavam e ao mesmo tempo aqueles que estavam por perto.
Cresci rebelde, cresci mal amado queria para o mundo o que o mundo quis pra mim, mal terminei o colégio já entrei nas drogas, mal tinha dezoito e roubava fortunas e vidas daqueles que indiretamente me fizeram assim.
Minha vida foi desse modo até o simples momento que a vi, relembrava-me algo, olhando pra ela via longe, mas via, era com uma miragem dentro do real, uma luz acalentava-me no simples de vê-la.
Era uma mocinha bem vestida com jeito de riquinha, mas aquilo não me importava, só a imagem dela me fazia enlouquecer.
Lembranças me bombardeavam, nos sonhos vi a imagem daquilo que me calou quando bebê. O tempo passava e me recuperava tanto fora quanto dentro, conseguia aos poucos me desgrudar daquilo que me prendia. Aquele sentimento, que nem sabia ser mútuo, me salvava aos poucos, me fazia esquecer do mundo de ódio que estava, me fazia querer viver.
Fui subindo de um poço imundo mergulhado num lago de ratos, via a luz no fim do túnel me chamando como antes.
Tomei domínio de mim mesmo, por tanto tempo a esperá-la sem ter pressa de chegada nem certeza da mesma, e parti para o ataque, sempre fui desajeitado, bruto, a vida não me ensinou ser diferente disso, mas com ela tentava ser outro tentava desbrutalizar-me, des-desajeitar-me. E com isso fui me aconchegando, aos poucos ela que da primeira vez fugiu, foi com pena me deixando viver. A garota era como criança assustada vendo um animal rente a jaula no zoológico, mas ali não tinha jaula, e mesmo assim algo nos separava, deixávamo-nos distantes, próximos só ao olhar.
Aos poucos a criança perdia o medo daquele bicho, como se ela me domesticasse, me tirasse da jaula e rolasse comigo na grama. Foram poucos os momentos com ela nunca trocamos palavras, somente olhares à distancia.
Mas depois de vários dias após a nossa primeira troca de olhares, acordei com um aperto no peito, havia tido um pesadelo aquela noite, neste eu estava mergulhado num líquido viscoso e no mesmo local uma luz dançava de um lado para o outro sendo a única coisa que iluminava o lugar, mas aos poucos como num negativo de foto aquela luz branca e acalentadora foi tornando-se escura engolindo tudo até mesmo eu que fui me sufocando na agonia até acordar.
Aquele seria o dia em que definitivamente nos encontraríamos, junto com a lembrança do pesadelo em contraste vinha a voz dela nos meus pensamentos, “Amanhã!”, sai do nosso local, do nosso “observatório” mútuo, sorrindo acho que pela primeira vez desde meu nascimento. Por que num dia tão feliz um pesadelo tinha de assombrar a minha vida? Fiquei sabendo a resposta logo que cheguei ao encontro.
Havia uma multidão aglomerada onde a garota sempre esteve durante os dias anteriores, havia viaturas de polícia e faixas isolando o local. Um calafrio enorme passou por mim, aquela luz agora dançava na minha frente, como se eu voltasse ao pesadelo, e de uma gargalhada tenebrosa ouço dizerem do aglomerado “É aquele ali que sempre estava com ela!”.
Não estava entendendo nada, só via braços me algemando e levando-me para uma das viaturas, ao chegar próximo à porta eu sinto uma dor no coração ao ver logo ao lado, ela que contrastava com sua pele branca o piche da rua, mas percebia-se que não era um branco comum era um branco pálido sem vida como era o estado que a moça se encontrava.
Meu coração não sentia mais nada como se ele estivesse anestesiado, não ouvia mais ele batendo, deixava as lágrimas cortarem o meu rosto quando uma força descontrolada me subiu pelos braços, consegui soltar-me dos policiais e com meu pranto eu lavei o vermelho que revestia seu belo rosto, por mais que estivesse morta eu sentia a sua presença e via o seu sorriso alegre naqueles lábios que pela primeira vez antes que os policiais me segurassem novamente eu toquei de leve e manso com meus lábios secos.
A dor era imensa e durante todo o caminho até a delegacia eu urrava, meu coração foi aos poucos voltando a si e quanto mais ele voltava mais a dor me maltratava.
Nem sabia o porquê de estar preso, só ouvia uns e outros falarem “É esse aí que matou a patricinha”, a cada vez que ouvia mais minha tristeza aumentava, não comia nada exceto quando algum guarda me fazia engolir a força toda uma pratada de uma espécie de lavagem.
Aos poucos fui entrando em estado vegetativo, aos poucos não conseguia nem me levantar para ir ao banheiro, aos poucos sentia uma mão me puxar cada vez mais pra baixo no poço de onde a pobre menina havia me tirado. Não durei muitas semanas naquele local não estava mais são o bastante para sobreviver, até que sem poder mais segurar no vão de tijolos das paredes do poço me joguei com tanta força sabendo que ali estava a minha perdição, mas ali pelo menos eu não sofreria.
De volta ao meu pesadelo, hoje descobri, porém só agora que estou morto, a vida é um jogo que só pode ser jogado por aqueles que nasceram para jogá-la. O meu destino foi traçado desde que matei minha mãe, mas eu não havia nascido para jogar e sim para ser mais um peão no tabuleiro dos dois grandes jogadores.