
Um dia olhando pro longe
Sentado num banco da praça
Vi um rapaz ajoelhado
Aos pés de uma bela moça
Aquilo doeu-me no peito
Uma dor que vinha da alma
E aos poucos virava enxaqueca
Uma dor que tirava minha calma
Era como uma inveja
Daquele ali ajoelhado
Via o tempo se passando
"Como eu não tinha me apaixonado?"
Queria como um desejo louco
Ali naquele instante
Por que do jeito que fui
Não pude ter sido amante?
Catei minas lembranças
Como cata milho a galinha
Desde minha recordável infância
Até outras que ainda tinha
Fui companheiro fiel
Amigo inseparável
Era alegre descontraído
Será isso impaixonável?
Era paciente prestativo
E a todos dava ouvidos
Aquele que os ombros cedia
Àqueles com o coração partido
Lembrei-me ter me apaixonado
Mas ainda era fútil
Um amor sem simples nexo
E esse tal foi o último
Não entendia o porquê
"Será meu coração uma pedra?"
Ou o amor é um mero prêmio
A quem à vida se entrega
Agora eu ali sentado
Já quase me conformando
Vendo o que antes estava ajoelhado
Pelo "fora" ali chorando
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