
Quatro paredes, noite de insônia, dois opostos seguindo aquilo que a física impõe: atritos, do sôfrego macho, incessantes, fecundando e saciando-se com aquela que ali o esperava.
Daí sua concepção, daquela noite mal dormida de um dia em que o coração de mais palpitar, como a si, outros também o quis.
Assim concebida estava, mas sentia-se ainda morta sem ter aquele que a animasse. Existia para si e em si, portanto ainda não se era.
Esperou o sol deslizar seus rudes braços pelo seu corpo plano, até que aquele que seu parto fizera veio a ela dar seu sopro de vida.
Cada fonema emitido de suas palavras eram suas células tomando vida, cada palavra expressada de seus versos eram seus órgãos em funcionamento, cada verso proclamado de suas estrofes eram seus membros tomando forma, por fim cada estrofe formava seu delgado e uniforme corpo.
até enfim viver.
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